Benção na Aflição

Nós não somos tentados por sermos terrivelmente maus, mas sim porque somos humanos. Jesus como homem foi tentado à nossa semelhança. Por trás dos nossos desejos humanos, se infiltram as tentações mais insinuantes. “O melhor dos santos pode ser tentado com o pior dos pecados”, dizia

Matthew Henry.

     Ninguém foi vacinado contra as piores tentações nem há qualquer sistema de imunização que impeça seu ataque. Contudo, podemos contar com uma realidade poderosa para nos amparar quando estamos passando pelas tempestades terríveis das tentações.

     “Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados.” Hebreus 2:18

     A tentação é sempre uma oportunidade de manifestação poderosa da pessoa toda suficiente de nosso Senhor Jesus Cristo. Se Deus não removeu a possibilidade da tentação é porque ele quer nos levar à dependência do Salvador. Nenhum santo do passado foi isento das tentações e nenhum deles foi derrotado por causa das tentações, pois o mesmo Salvador que venceu as tentações sempre esteve bem presente em suas provações.          

     “Nada conduz tanto à verdadeira humildade como a tentação. Ela nos ensina como somos fracos.” E para a fé cristã, somente os fracos são verdadeiramente fortes. Quando através da tentação nos é revelada a nossa profunda fraqueza, abre-se o caminho para procurarmos a suficiência daquele que é Todo-Poderoso.      Samuel Rutherford mostrava que “a maior tentação provinda do inferno é a de viver sem tentação.” Esta arrogância espiritual pretende descartar Deus na autonomia de uma vida tranqüila. Se não temos tentação, também não precisamos sujeitar-nos à vontade de Deus. A grande proposta do diabo no pecado é de nos tornar independentes de Deus e auto-suficientes.

     Sabemos que a tentação não é pecado, mas é um chamado para a batalha da fé. Nós só iremos levantar os olhos para cima, na direção de Deus, quando estivermos conscientes da nossa fraqueza e carentes de sua ajuda. Assim sendo, minhas tentações sempre me estimulam a buscar a infinita misericórdia de Deus. Um pastor disse, certa ocasião, que ele sempre orava com mais intensidade quando orava sob pressão. Mas há verdade aí, pois as tentações acabam nos conduzindo a uma intimidade mais profunda com Deus.” 

     “A tentação é a matéria prima com que são feitos os pavimentos do caminho cristão. Se você nunca for tentado, jamais poderá recorrer à graça de Deus, a fim de poder resistir às investidas permanentes do pecado. O grande perigo da ausência de tentação é uma vida orgulhosa que dispensa a oração, supondo que pode dirigir e controlar os acontecimentos de sua existência. Sem a consciência de nossa fraqueza nos tornamos realmente pessoas intoleráveis, que se bastam a si mesmas”.

     Provas e tentações não nos enfraquecem, mas apontam os nossos pontos fracos, de sorte que possamos apelar para a suficiência da graça e, deste modo, sermos fortalecidos. A verdadeira oração sempre brota de um coração dependente de Deus. Quando chegamos ao nível da fraqueza, então somos levados ao patamar da graça.

     “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então é que sou forte.” 2Cor12:10

     O paradoxo da fé cristã se revela no absurdo lógico de que a fraqueza é o trampolim da força. “Não teremos nenhum poder de Deus, a não ser que sejamos convencidos de que não temos nenhum poder em nós mesmos.” Nossa fraqueza escancara todo o espaço necessário para armazenar a manifestação do poder de Deus. O Senhor não opera em He-man, pois ele já tem a força. O Senhor derrama a sua graça em Davi, que era um pigmeu diante do gigante Golias. Só aqueles que são fracos, e plenamente conscientes disso, podem recorrer à graça suficiente do Todo-poderoso.

–> Glênio Fonseca Paranaguá  (Livro: Bençãos na Aflição – Editora IDE)

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