CEGO DE NASCENÇA

E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. João 9:1.

Gênesis e João são os dois livros que falam do “princípio”. Gênesis narra o princípio das coisas criadas. O evangelho de João fala do “principio”, da eternidade. Em Gênesis, vemos como se deu o início do pecado; em João, vemos como se dá o fim do pecado. Em Gênesis, o pecado é definido como a transgressão da palavra de Deus; No evangelho de João, o pecado é definido como incredulidade.

O homem em pecado está em profundas trevas. Sua condição é de uma criatura caída, totalmente depravada. O profeta Isaías, por revelação divina, nos mostra a verdadeira condição do homem nascido neste planeta terra. Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, tu, ó terra; porque o SENHOR tem falado: Criei filhos, e engrandeci-os; mas eles se rebelaram contra mim. O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende. Ai, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao SENHOR, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás. Por que seríeis ainda castigados, se mais vos rebelaríeis? Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo. Isaías 1:2-6.

O “mundo” está envolto em densas trevas. Cada um de nós traz no coração o peso desse estado. Porque eis que as trevas cobriram a terra, e a escuridão os povos. Isaía60: 2:a. Um fato importante que as Escrituras nos revelam é que esse estado em que o ” mundo” se encontra é fruto de uma desobediência do cabeça da raça humana. Mas você pode se perguntar: o que tenho a ver com a desobediência de Adão? A verdade é que nós existimos por causa dele; isto significa que, quando Deus o criou, nós estávamos nele. Portanto, se Deus não tivesse criado Adão, nós não existiríamos. Assim sendo, quando Adão caiu, ele nos levou junto nessa queda, porque estávamos nele.

E por essa queda todos nós nascemos espiritualmente em profundas trevas. Por isso, quão necessários é sermos guiados pela “Luz”. A realidade desse fato está exemplificada na história da saída dos israelitas do Egito para Canaã. O Egito é um tipo de trevas. Deus os tirou das trevas para guiá-los sob uma coluna de nuvem. E o SENHOR ia adiante deles, de dia, numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite, numa coluna de fogo, para os iluminar, para que caminhassem de dia e de noite. Êxodo 13:2. O Senhor não só tirou o Seu povo do domínio das trevas, mas desceu para conduzi-los durante a viagem pelo deserto. Pois Deus sabia perfeitamente dos perigos existentes nessa jornada. “O caminho do deserto” era uma rota cheia de obstáculos. Aqui vemos a presença constante da “Luz”. Ai daquele que caminha neste mundo sem a presença da Luz!

No evangelho de João, no capítulo 8, o nosso Senhor se revela perante os homens como a luz do mundo, e no capítulo 9, Ele é a luz em ação, revelando-nos o que faz no homem. “E passando Jesus, viu”. Isto era a graça divina. Este cego de nascença não só recebeu a “luz do dia”, a cura física, como também “a Luz da vida, a salvação da alma. Isto se cumpre porque o nosso Senhor disse: Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. João 8:12.

“Cego de nascença”: Essa é a condição de todos aqueles que nascem neste mundo, cegos espiritualmente, sem entendimento, em profundas trevas. Por isso ele não pode ver sua condição, ele não pode ver que necessita de um Salvador. É preciso que o Salvador o veja para que este receba visão. “E passando Jesus, viu um cego de nascença”. O Senhor faz, com a Sua saliva, lodo da terra e aplica-o nos olhos do cego de nascença. Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego. João 9:6. Este barro figurava a humanidade de Cristo na Sua humilhação terrestre e na Sua humildade, apresentada aos olhos dos homens. Jesus mandou o cego se lavar com água: E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo. João 9:7. Água, nas Escrituras, tipifica a palavra de Deus; o cego obedeceu imediatamente sem questionar, não fez nenhuma pergunta, e o resultado foi que ele ganhou visão. Este milagre foi realizado fora do “templo”, e isso mostra que o homem está alienado, distante de Deus.

Siloé quer dizer “Enviado”. O poder do Espírito e da Palavra faziam conhecer Cristo como sendo o Enviado do Pai, transmitindo, ao cego, visão. Esta é a história da graça de Deus agindo no coração do homem. A graça da parte de Deus descendo, Cristo, como homem, para nos dar visão – O VERBO DE DEUS – descendo até às necessidades e às circunstâncias do homem. Deus-Homem se “curva” diante dos homens caídos para elevá-los ao conhecimento da Sua gloriosa Pessoa. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. João 1:14.

É o Verbo de Deus feito carne, feito homem, que habitou entre nós na plenitude da graça e da verdade. Eis o grande fato de que o Evangelho nos fala: Deus-Homem entre os homens. A perfeita expressão de Deus, tomando a própria natureza do homem quanto a tudo que se encontra no homem, indo ao encontro de todas as necessidades humanas. É a expressão perfeita Daquele que é cheio de graça, fonte de toda a benção. A glória em que Jesus Cristo se manifestou era a de um Filho Unigênito vindo da parte do Pai, de quem pode dizer: E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o. Mateus 17:5.

A graça se manifestou em favor dos perdidos, graça essa fruto do amor de Deus. A vinda de Cristo a este mundo nos revelou dois fatos: o verdadeiro caráter de Deus e o dos homens. Deus é perfeito como somente Ele pode ser, Deus é amor. Mas o homem é totalmente depravado em seu caráter. O amor brilha em todo o seu fulgor, e a graça é-nos dada! A verdadeira Luz, vinda ao mundo, brilhava para todos os homens, e o mundo, mergulhado em trevas e cego, não o compreendeu. Como o cego de nascença não pode ver o Salvador, nós também não podemos vê-Lo, pois é necessário que os nossos “olhos” sejam “lavados” com água, símbolo da palavra de Deus, para ganharmos a visão da “Vida”.

Por isso, o nosso Senhor disse: “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas”. O nosso Senhor presta testemunho de Si mesmo. Jesus afirma categoricamente: “Eu sou”, nome supremo de Deus. Grandiosa revelação! Que sublime revelação para aqueles que O seguem. O próprio Deus é a própria bondade neste mundo de trevas. Graças sejam dadas a esse Deus que se interessou pelos homens. Sublime amor!

A morte é o fim do homem enquanto o homem está neste mundo. Não resta senão o Juízo de Deus. E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo. Hebreus 9:27. O homem está realmente em profundas trevas, mas Deus em Cristo intervém em graça. Cristo tomou a vida humana em graça e sem pecado; e, nesta vida, na qual não conheceu o pecado, tomou o pecado sobre Si, para que Nele recebêssemos a vida. Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus. Quanta honra para Deus quando o Senhor Jesus foi voluntariamente para a cruz a fim de ali glorifica-Lo, quando na cruz restituiu o que a humanidade perdeu em Adão.

O pecado trouxe morte e a morte lançou trevas sobre a face da terra. Mas o nosso Senhor trouxe o poder da vida divina ao seio da morte. E a morte foi aniquilada diante desse poder, porque, onde há “Vida”, a morte já não existe. Deus é glorificado nesta obra de graça, e é a glória do Filho de Deus que resplandece trazendo vida eterna ao homem morto em delitos e pecados. Foi na cruz que o Senhor abriu as comportas eternas do amor, caso contrário, ficariam fechadas para sempre.

Se o nosso Senhor Jesus continuasse até os dias de hoje percorrendo o mundo “fazendo o bem”, o véu do templo continuaria inteiro, e o mundo, completamente mergulhado em profundas trevas. Foi a Sua morte na cruz que rasgou essa “misteriosa” cortina de alto a baixo. E Jesus, dando um grande brado, expirou. E o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo. Marcos 15:37-38. O pecado tinha de ser aniquilado, todo o poder do inimigo devia ser destruído. Como poderia acontecer isto? Somente pelo derramamento de sangue. O caminho de entrada para a “Luz” foi salpicado pelo sangue. A cruz foi o grande e único ato pelo qual o homem é transportado do “império das trevas” para a luz. O nosso resgate não foi na manjedoura, nem no jardim do Getsêmani, nem no deserto, nem no monte da transfiguração, mas somente sobre o madeiro. E foi ali que Ele inclinou a Sua bendita cabeça e deu a Sua preciosa vida sob o peso das trevas, e disse: “Está Consumado”. Deus aceitou o valor desse sacrifício e ressuscitou o Seu bendito Filho de entre os mortos, glorificando-O à Sua destra. Este mundo é na verdade um lugar de trevas. Mas, no coração de um nascido de novo, já não existe noite. Ele foi chamado das trevas para a luz admirável de Deus. Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. 1 Pedro 2:9. A Estrela da manhã apareceu em seu coração, e, portanto, nele há luz. Conheceu o Senhor Jesus Cristo como o Sol da justiça e também como a Estrela da alva. E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. 2 Pedro 2:19.

Na cruz, tudo foi realizado por nós. Fomos libertos de nós mesmos para nos ocuparmos com a Sua glória. Fomos feitos reis e sacerdotes para Deus, que nos selou em Cristo com o Espírito Santo. Que cada um de nós possa dizer: “uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo”. Amém.

 

Por: Humberto Xavier Rodrigues  – 04/01/2009

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