CRISTO, NOSSA SANTIFICAÇÃO

“Pois esta é a vontade de Deus, a vossa santificação”

Durante muitos anos fiz parte de uma denominação cujo tema principal foi a “santificação”. Amava tudo o que ouvia e buscava sempre a santificação. Apesar de ter sido sincero em minha busca, jamais pude encontrá-la. Deus, em Sua graça, me fez encontrar justamente o contrário: a minha depravação e pecaminosidade. Quanta frustração! Eu sabia que a vontade de Deus era a santificação (I Tessalonicenses 4:3), porém tudo que eu pude fazer foi viver de modo contrário à vontade de Deus. As coisas que ouvi e aprendi nesta denominação não me ajudaram a viver a santificação. O conceito de santificação que me foi passado estava errado, pois não se alcança a santificação pela força e pelo esforço próprio. Se fosse assim, os santos seriam a estirpe mais orgulhosa e soberba. Eles se gabariam dizendo: “Eu consegui a santificação!”. “Hoje sou santo porque me dediquei para isso”.

Antes a santificação para mim se restringia em atitudes boas, corretas e religiosas. Uma vida honesta e positiva diante das pessoas era o que bastava. A família? Tudo bem, deixa para lá! O importante é ser santo diante da igreja, dos pastores, dos líderes. A esposa e filhos? Liga não, eles já me conhecem, estão acostumados com o meu jeitão! Que santificação podre, incoerente, falha e desprezível eu vivi durante anos.

Hoje vejo que a santificação não é apenas atitudes e modo de viver religioso. Santificação é “SEPARAÇÃO”. Separar do meu velho homem que gosta de viver segundo a própria paixão. Enfim, despojar de mim mesmo, do meu viver carnal e mundano. Santificação é, pela cruz, morrer para tudo que é do homem, da carne, do mundo e estar totalmente disponível para Deus. Um homem que se considera um “homem de Deus”, que faz muitas obras em prol de sua denominação, não é necessariamente um homem santificado. Ainda que faça muitas coisas boas, se ele não tem tempo para Deus, se não está disponível para Deus e não vive para Deus, certamente não é santificado.

Santificação é deixar de pertencer a mim mesmo e pertencer totalmente a Deus. É um viver separado para Deus. II Coríntios 5:15 – “E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”. Veja Romanos 14:7-9.

I Pedro 2:9 – “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”.

Quando somos inteiramente do Senhor, estamos totalmente em Suas mãos, exclusivamente à Sua mercê, então realmente somos santificados. Abraão foi santificado em uma vida de total obediência ao Senhor. Davi foi santificado ao ser um homem segundo o coração de Deus. Paulo foi santificado em ser um instrumento totalmente entregue nas mãos do Senhor. Ele dizia: “Porquanto, para mim, o viver é Cristo” (Filipenses 1:21). Isto é santificação: uma vida totalmente de Cristo e para Cristo! Não mais para si, não mais segundo a carne ou o mundo; mas somente para Cristo: “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20). Não eu, mas Cristo! Santificação é quando não mais minha vida se manifesta e, sim, a vida de Cristo se manifesta em nós. “levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal” (II Coríntios 4:10,11).

Um dos significados da palavra morte é = “separação”. O instrumento usado para que haja a “separação” em nós é a cruz. Vida de cruz produz santificação.

Na santificação existe o “LADO DA MORTE” e o “LADO DA VIDA”. É necessário compreendermos que para ser santificado, primeiro é preciso haver a morte de tudo aquilo que impede um viver santo. Precisamos morrer para nós mesmos. Colossenses 3:5 – Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria”.  Nesse processo ocorre também o “DESPOJAR”. Precisamos aprender a despojar os feitos do velho homem. I Pedro 2:1 é um exemplo: Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências,”. O lado da morte é esse despojar, negar, renunciar. O Senhor Jesus já dizia: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Lucas 9:23). Dizia mais: “Assim, pois, todo aquele que dentre vós, não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:33). No processo da santificação, o Espírito do Senhor me despoja de tudo, até que não sobre nada além de “mim mesmo” e isto é simplesmente a morte do “eu”. Uma pessoa despojada de si mesmo, que morreu para si, que aprendeu a negar a si mesmo, que vive vida de renúncia; sim, esta pessoa foi santificada. Morte de si mesmo é a condição para a verdadeira santificação. Somente aquele que se identificou com a morte de Jesus tem condições de viver a santificação.

Será que estou disposto a despojar-me de tudo, até o ponto de ser apenas “eu mesmo”? Estou pronto a despojar-me decididamente de tudo o que meus amigos pensam de mim, de tudo o que penso de mim mesmo, e entregar a Deus esse “eu” despojado? Tão logo isso aconteça, ele me santifica totalmente e passo a viver sem me preocupar com mais nada, apenas com Jesus. Santificar-se significa ser um com Jesus. É poder dizer: Cristo vive em mim, Ele é tudo para mim. O santificado recita com alegria e convicção Romanos 11:36 – “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!”. Somente Jesus, nenhum outro mais. A pessoa santificada começa a ver somente o Senhor Jesus: “Então, eles, levantando os olhos, a ninguém viram, senão Jesus(Mateus 17:8).

A santificação não é algo que se conquista; antes, é ele próprio em nós. I Coríntios 1:30 – “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção”.

JESUS CRISTO É NOSSA SANTIFICAÇÃO!

Este é o “LADO DA VIDA” na santificação. Quando creio que Cristo se tornou em santificação para mim, Sua vida é transmitida à minha vida. A santificação não é nada mais do que a transmissão da santidade de Jesus para mim; é sua manifestação em minha vida. O segredo de uma vida santa não é imitar Jesus, mas deixar que as perfeições dele se manifestem em meu corpo mortal. Santificação é “Cristo em nós”. Quando Deus realiza o milagre do novo nascimento, Cristo passa a viver no cristão. Daí por diante ele começa a viver uma vida de cruz, vida de morte para si mesmo e, naturalmente, Cristo começa a se manifestar nele. Mais e mais deixa de viver para si e Cristo passa a viver nele. Cristo vai crescendo e ele vai diminuindo. Cada vez mais o “eu’ desaparece e Cristo é formado nele.

Santificar-se significa passar a ter as qualidades santas de Jesus Cristo. A paciência, bondade, misericórdia e amor que a pessoa vive, vem de Jesus, é de Jesus, é Jesus. O cristão então passa a ser mais parecido com Ele. Santificação é uma transmissão e não uma imitação. Não é por obras, é fruto da presença de Jesus em nós. Não são regras a serem cumpridas, mas é a vida de Jesus fluindo em nós.

O nascido de novo ao viver vida de cruz tem a vida de Jesus se manifestando nele. Ao viver a santificação de Cristo, o cristão faz a vontade de Deus:

“Pois esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (I Tessalonicenses 4:3a).  

Pr. Mario Tsuyoshi Yamakami

Comunidade Bíblica Regenerada   –   Cristo vive em nós 

Maringá, Outubro de 2012.

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