AMANTES DA CRUZ DE CRISTO

Jesus tem agora muitos amantes de Seu reino celestial, mas poucos carregadores de Sua cruz. Muitos Ele tem que desejam a consolação, mas poucos, a tribulação. Muitos Ele tem que compartilham a Sua mesa, mas poucos, Seu jejum. Todos desejam se alegrar com Ele, mas poucos se dispõem a suportar qualquer coisa por Ele. Muitos seguem Jesus para o partir do pão, mas poucos para beber do Seu cálice (Lc. 22:42). Muitos reverenciam Seus milagres, poucos seguem a vergonha de Sua cruz. Muitos amam a Jesus, enquanto não lhes acontecem adversidades. Muitos louvam e bendizem-No, enquanto estão recebendo Dele alguma consolação. Mas se Jesus se oculta e deixa-os por um pouco, ou caem em reclamações ou em depressão mental.

Mas os que são regenerados pela sua graça e amam a Jesus simplesmente pelo que Ele é, e não por algum conforto próprio especial, bendizem-No em toda tribulação e angústia de coração, bem como no mais alto conforto. Sim, mesmo quando Ele se oculta, sempre dão a Ele todo o louvor e adoração, e desejam sempre render graças, pois sabem que Ele se ocultou para algo que ira glorificar o Seu Nome. Ah, como é poderoso o amor puro de Jesus que não está misturado com interesse próprio ou amor egoísta.

Então não devem ser chamados de mercenários, os que estão sempre buscando consolação? Será que não se revelam ser mais amantes de si do que de Cristo, esses que buscam o que é de si próprio e não o que é de Cristo (Fp. 2:21)?

Onde se encontrará alguém que está disposto a servir a Deus, sem nada ganhar em troca (Jó 1:11)? Raramente se encontra um individuo tão espiritual que esteja despojado de todas as coisas. Pois quem encontrará uma pessoa que seja, de fato, pobre de espírito e desprovida de toda coisa criada? “O seu valor muito excede o de finas jóias” (Pv. 31:10).

“Ainda que alguém desse todos os bens de sua casa”, ainda assim não seria nada (Ct. 8:7). E se praticasse grande arrependimento ainda seria pouco. E se ele alcançasse toda a sabedoria, ainda estaria longe. E se ele tivesse grande virtude e toda a devoção fervorosa, ainda assim, muita coisa lhe faltaria; especialmente uma, que é para ele sumamente necessária. O que é? Que “a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga a Jesus” (Mt. 16:24). E tendo feito tudo que sabe que deve ser feito, considere que nada fez. Que ele não pese como sendo muito, o que poderia ser avaliado como muito, mas que ele se julgue ser, na verdade, um servo inútil. “Assim também vós, depois de haverdes feito quanto  vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer” (Lc. 17:10).

Então ele pode ser realmente pobre e nu no espírito e dizer com o salmista: “Estou sozinho e aflito” (Sl. 25:16). Contudo nenhum homem é mais rico do que ele; nenhum homem, mais poderoso; nenhum homem, mais livre; pois ele é capaz de deixar sua pessoa e todas as coisas, e colocar-se na posição mais baixa.

A Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

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