O DESERTO DA DESCONSTRUÇÃO

deserto4Quando lemos a biografia dos homens que realmente foram usados por Deus, encontramos algo em comum. Todos passaram pelo deserto da desconstrução. A natureza humana detesta ser contrariada e odeia passar por provas e aflições. Ela busca constantemente segurança e auto-suficiência para não precisar depender de ninguém, nem mesmo de Deus. Nossa vida é curta e se nesses poucos anos desejamos ser úteis nas mãos de Deus, é preciso primeiro ser desconstruído. Muitos querem servir a Deus, mas não querem ser desconstruídos pela cruz. O homem que Deus usa é aquele que aprendeu a se esvaziar de si mesmo através da morte de cruz. Desde cedo aprendemos a nos estribar em nossa capacidade e força; porém, ao nascer do Espírito, precisamos aprender a confiar tão somente em Jesus Cristo.

Moisés foi salvo quando ainda bebê por que Deus tinha um propósito para ele. Nos primeiros quarenta anos vemos Moisés no palácio, aprendendo tudo sobre a ciência do homem. Era respeitado como o filho da filha de Faraó. Provavelmente estava sendo preparado para ser o número um do país. Mesmo sendo capaz e cheio de autoridade, Deus não se utilizou dele neste período de sua vida. Veja Atos 7:19-22. Mas Deus queria usá-lo, por isso, levou-o à Sua escola. Essa escola fica no “deserto”, às vezes é chamada de “anonimato”. Deus usou as circunstâncias e Moisés precisou ir para o deserto. Atos 7:23-29. Ali ficou Moisés estudando a matéria dessa tal de “desconstrução”, matéria muito difícil, por sinal. Ele precisou gastar quarenta anos de sua vida nesta matéria. Alguns começam e logo querem terminar. Não agüentam alguns meses e já querem o diploma. Choram, pedem orações, dão testemunho de sofrimento e dificuldades, querem ir ao Japão trabalhar e ganhar dinheiro, outros querem usar o dízimo que é do Senhor, outros querem o divórcio, outros querem mudar de emprego e outros, de igreja. Ficam se debatendo, se esquivando e fugindo das aulas. Dizem à Deus que já estão bem sofridinhos, que já assistiram a muitas aulas sobre desconstrução e já estão bem cansados. A resposta de Deus é o silêncio. Passam-se anos e o irmãozinho está um pouco mais calmo e Deus continua em silêncio. Mais alguns anos e o irmãozinho estará um pouco mais manso e Deus continuará em silêncio. Moisés ficou quarenta anos nesta vidinha simples no deserto, sem as baladas do palácio. Atos 7:30 – Decorridos quarenta anos, apareceu-lhe o Senhor, no deserto do monte Sinai, um anjo, por entre as chamas de uma sarça que ardia. Você já parou para fazer a conta? Quantos dias são quarenta anos? Simplesmente 14.600 dias, é mole? Tem irmãozinho aqui que nem viveu esse tanto de dias e já quer sair da escola da desconstrução. Moisés era um homem forte e bem instruído. Muito do homem e do mundo foi “construído” nele e tudo precisava vir por terra. Atos 7:22 – “E Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em palavras e obras”. A palavra: “poderoso”, me assusta, pois dá a impressão que ele era como um deus. Deus precisou de quarenta anos para desconstruir o poderoso Moisés. No deserto Moisés não tinha mais as mordomias dos palácios, os serviçais, os cantores e as dançarinas, a glória e o respeito, a segurança e o conforto. Agora era só o sol e a areia escaldante à sua volta. Tudo que via e ouvia eram as ovelhas do sogro. Não tinha com quem conversar e foi-se esvaziando de tudo que aprendera no palácio. Foi ficando “analfabeto” em questões mundanas e humanas. Deus foi esvaziando e humilhando este servo como o próprio Servo maior fez. Filipenses 2:7-8. Somente uma pessoa destituída de si mesma, esvaziada inteiramente de si, que se humilha a ponto de se tornar servo de todos, está apta para carregar a sua cruz. O Senhor suportou a cruz e morreu sem abrir a sua boca, como um cordeiro mudo, foi moído devido às nossas transgressões. É assim que Deus quer trabalhar em cada um de nós. Pela cruz, nos desconstruir de nós mesmos e nos esvaziar a ponto de poder nos encher completamente de Cristo. Ele quer formar Cristo em nós (Gálatas 4:19). Após os quarenta anos de desconstrução, vemos aquele poderoso Moisés, transformado em um pobre e humilde camponês. Ele se tornou em um caipira que nem sabia falar direito. Que transformação! Caiu o Moisés que queria fazer tudo com suas próprias mãos e surgiu um novo Moisés, indefeso, incapaz e fraco. Êxodo 4:10 – “Então, disse Moisés ao Senhor: Ah! Senhor! Eu nunca fui eloqüente, nem outrora, nem depois que falaste a teu servo; pois sou pesado de boca e pesado de língua”. Em Êxodo 6:30 ele está dizendo ao Senhor que não sabia como falar com o Faraó. Ele reconhecia sua falência, sua deficiência, sua fraqueza. Antes, quando era poderoso em obras e palavras, Deus não o usou; agora, em sua fraqueza, Deus o enviou à maior autoridade que existia na época. Deus usa homens fracos, destituídos de si mesmo, que dependem desesperadamente Dele. Agora Moisés esta moidinho da silva, no pó, na rua, na calçada, um trapo. Ele até havia esquecido que no passado era o bom da boca, o bicho da goiaba, o rei do pedaço que sabia muito bem rodar a saia da baiana como ninguém. Agora ele até reconhece que é um servo do Senhor. Ele se sentia tão incapaz que teve a coragem de dizer para o Senhor enviar qualquer um, menos ele. Êxodo 4:13 – “Ele, porém, respondeu: Ah! Senhor! Envia aquele que há de enviar, menos a mim”. Ele se considerava o menor, o mais indigno, o mais incapaz. A desconstrução de Deus o transformou em um homem incapaz e foi aí que ele chegou onde Deus queria. Que paciência Deus tem, esperou quarenta anos para então poder agir por meio dele. O apóstolo Paulo concluiu este curso e então disse: “Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (II Coríntios 12:9-10). Hoje muitos querem ser pastores, fazem um curso teológico e dizem para Deus: pode me enviar Senhor, estou pronto para arrebentar e fazer descer fogo do céu. “Esse cara sou eu!”. Um vaso só é útil nas mãos de Deus quando está vazio e santificado (II Timóteo 2:21). Só seremos usados por Deus quando passarmos pela morte de cruz. A velha natureza e o velho homem precisa morrer na cruz. Sem vida de “morte” não podemos experimentar o poder da ressurreição (Filipenses 3:10). O Cristo ressurreto Todo-Poderoso vai agir na vida daquele que foi ressuscitado juntamente com Ele. Deus não está à procura de obreiros cheios de conhecimento e destreza no falar. Nas igrejas, quando alguém se destaca em uma pregação, logo pensam que esse vai ser um pastor futuramente. São esses que terão que passar mais tempo no deserto da desconstrução para que um dia possa ser usado pelo Senhor. Enquanto acharmos que sabemos mais do que os outros a mensagem da cruz e procuramos ensinar como se fôssemos mestres do saber, estamos longe de sermos um vaso útil nas mãos do Possuidor. Precisamos ser desconstruídos de nós mesmos a fim de sermos somente do Senhor. Ele é o Possuidor, Ele é o Senhor e devemos estar totalmente rendidos em suas mãos.

Depois de quarenta anos, finalmente Moisés concluiu este curso. Agora Deus podia usá-lo de acordo. Moisés estava pronto para ir em nome do Senhor. Moisés perguntou: Se perguntarem quem me enviou o que eu digo? Deus disse: Diga que o EU SOU O QUE SOU te enviou, oras bolas. EU SOU O QUE SOU? Sim Moisés! Está bem Senhor, eu irei e falarei isso. Moisés era gago a esta altura do campeonato, pesado de boca. Imagina ele diante de Faraó dizendo tudo isso? Não foi fácil, mas ele foi! Deus usa os desconstruídos. Se você tem amado o Senhor e andado nos seus caminhos e está sendo desconstruído, apenas confie e espere inteiramente Nele. Não tema perder as coisas, não tema a doença, a falência, a dor, a fraqueza e outros instrumentos mais do Senhor para a sua vida. Ele não falha!

Quando lemos Isaías 38:19-20 vemos que Deus anuncia ao rei Ezequias que ele iria morrer, que o seu fim chegou, este rei clama a Deus e Deus lhe dá mais quinze anos de vida. Só depois que ele chegou ao seu fim é que aprendeu que depende inteiramente do Senhor (v.16). Em seguida, ele dá louvores a Deus e diz que louvará a Deus todos os dias da vida (v.20). A desconstrução nos leva a Deus e nos ensina a louvarmos a Deus eternamente. O rei Davi foi, muitas vezes, desconstruído pelo Senhor, por isso, louvaria a Deus todos os dias de sua vida.

Salmo 145:1-2 – “Exaltar-te-ei, ó Deus meu e Rei; bendirei o teu nome para todo o sempre. Todos os dias te bendirei e louvarei o teu nome para todo o sempre”.

Se Deus está desconstruindo sua vida, certamente Ele próprio edificará novamente e, com certeza, será bem melhor.

Jeremias 1:10 – “Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares e também para edificares e para plantares”.

A desconstrução antecede a construção sobre Cristo, nossa Rocha Eterna. A desconstrução esvazia-nos de nós mesmos para que Deus possa nos encher de Cristo. O vinho novo é melhor!

Pr. Mario Tsuyoshi Yamakami

Comunidade Bíblica Regenerada   –   Cristo vive em nós

Maringá, Fevereiro de 2013.

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