O CAMINHO DA CRUZ

Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida perde-a; Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará.Joao12:24-26.

Caminho da CruzEm estudo anterior intitulado, A palavra da cruz é loucura, falamos que a Cruz não é apenas um ato. A Cruz é um fato que aconteceu na história uma vez e para sempre, mas também é um caminho a ser trilhado.

A Cruz não é apenas a porta de entrada para a eternidade, mas também, o caminho da Vida. É um fato histórico que aconteceu há dois mil anos atrás, porém, se torna real ou experimental, quando revelado na vida daqueles que creem. Segundo Erich Sauer, o pé da cruz se finca na terra, mas a sua cabeça se eleva acima das vastas expansões do mundo dos astros, e determina a sua história cósmica.”

Vemos que dois aspectos sobre a Pessoa de Cristo são a nós revelados. O primeiro é que, segundo o propósito eterno de Deus, nosso Senhor Jesus, o Filho do homem é o Centro do Universo.

O segundo aspecto fala a respeito Desse Centro, no qual a Redenção é plenamente realizada. A nossa Redenção está Nele – Jesus crucificado. A Cruz significa, então, o ponto central do universo. Cristianismo sem Cruz é mera especulação; Cristianismo sem Cruz nada vale.

Do ponto de vista da redenção a Cruz significa morte. A Cruz é onde a própria pessoa é condenada à morte. Em outras palavras, a Cruz não é algo fora ou separada de nós.

Satanás fez uma observação bem clara ao dizer: Então, Satanás respondeu ao Senhor: Pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida (Jó 2:4). E como isso é verdade! Estamos sempre dispostos a desistir de tudo, mas não de nós mesmos. Queremos salvar a nós mesmos, e para isso, estamos dispostos até a abrir mão de tudo. E, é neste ponto que a Cruz se torna escândalo para muitos.

Por que muitos ficam escandalizados ou ofendidos com a Cruz? Porque a Cruz exige a morte da vida da alma. Esta é uma exigência divina, e é por isso que a Cruz é algo que nós, naturalmente, tentaremos evitar.

No monte da transfiguração, Pedro sugeriu um Cristianismo sem Cruz, quando fez a seguinte proposta:Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. Então, disse Pedro a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias (Mateus 17:1-4).

As investidas contra a Cruz de Cristo não são algo novo. Neste episódio, Pedro propôs um estilo de vida sem Cruz. Isto é, um relacionamento ou uma comunhão sem Cruz. Será que podemos dizer que foi uma “proposta indecente” de Pedro? Só há um caminho para entrarmos no Santo dos Santos – pelo sangue de Jesus.

Nosso Senhor Jesus Cristo seguiu o caminho da Cruz desde a fundação do mundo. Ele era o Cordeiro morto desde a fundação do mundo, porque desde, se refere ao conselho de Deus, ou o Seu plano.

Deus, ao ver que o homem que Ele criou iria cair, fez uma provisão, mesmo antes de Ele ter criado o homem. Assim, o Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo: aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo (Apocalipse 13:8). Na plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho ao mundo. Deus em forma humana é um mistério que vai além da nossa vã imaginação. Essa encarnação foi o caminho que culminou na morte – morte de Cruz.

Deus, sendo Deus, é soberano. Ele tem todos os direitos, mas Ele esvaziou-se a Si mesmo. Ele desistiu de todo o direito que lhe pertencia e tomou a forma de servo. Por mais humildes que sejamos como seres humanos, temos alguns direitos, e quantas vezes nós nos levantamos em defesa deles!

Mas, um escravo é uma pessoa que não tem absolutamente nenhum direito. Ele não tem direito nem à vida. Entretanto, o Filho de Deus, que tem todo o direito, abriu mão do Seu direito como Deus, esvaziou-se a si mesmo, fazendo-se semelhante a homens.

Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz (Filipenses 2:5-8).

O Filho de Deus se esvaziou tomando a forma de servo. O motivo do Seu autoesvaziamento foi o amor. Como Deus, Ele tem tudo para si. Mas, por causa do Seu amor por nós, Ele se esvaziou de toda glória, honra e majestade que o envolvia como Deus.

Nosso Senhor Jesus negou-se a si mesmo durante toda Sua vida, andando pelo caminho da Cruz, o qual foi terminar no Calvário. Lá Ele foi crucificado e morreu por nós. Se Ele é o Cordeiro que foi sacrificado desde a fundação do mundo, Ele precisava ser historicamente e objetivamente crucificado no Calvário. Agora, Ele está nos chamando para o seguirmos. Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me (Lucas 9:23).

O Senhor percorreu todo o caminho da Cruz até que finalmente foi crucificado. A diferença neste chamado é que Ele tomou o caminho da Cruz e terminou na Cruz do Calvário e nós, começamos na Cruz de Cristo, e só então, começamos a trilhar o caminho da Cruz.

O que tudo isto significa? Significa que, a nossa vida cristã começa após a Cruz. Começamos a andar no caminho da Cruz, depois que somos crucificados e ressuscitados Nele. Isto é, depois de nossa co-crucificação e co-ressureição é que podemos seguí-Lo.

Atraídos pela Sua graça e constrangidos por Seu amor, poderoso pela sua força, fomos conduzidos ao “julgamento”, isto é, fomos julgados naquela morte: Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram (2 Corintios 5:14).

O Senhor ilustrou essa verdade com um grão de trigo. Sabemos que, em primeiro plano, o Senhor estava se referindo a Si mesmo quando usou esta parábola, porque Ele foi o grão de trigo que caiu na terra e morreu.

Mas, o principio dessa verdade se aplica a todos nós. Deus muitas vezes usa coisas naturais, coisas terrenas, para ilustrar coisas celestiais porque os princípios são os mesmos.

Ele disse: Um grão de trigo… Quando você olha para o grão de trigo ele pode até ter uma casca muito bonita, mas, aquela casca é dura. A vida do trigo está contida dentro daquela casca e se colocarmos o grão em cima de uma mesa e o deixarmos ali por cem anos, ele vai permanecer como grão, sem nenhuma mudança. A vida que está dentro daquela casca, lá permanecerá sozinha. Conforme disse Jesus “fica ele só”. Mas, para que ela se reproduza e multiplique, o grão de trigo precisa cair na terra – ser enterrado.

Mas, ao cair na terra, a casca exterior irá se deteriorar e será destruída e, do seu interior, brotará uma nova vida. A vida começará a explodir para fora da terra e produzirá a cem, sessenta e trinta por um.

Esta é a lição que precisamos aprender. O principio da frutificação pela morte. Se quisermos ser frutíferos para Deus precisamos morrer. Insensato! O que semeias não nasce, se primeiro não morrer (1 Corintios 15:36).

O Senhor desceu do céu para a terra e da terra para as regiões inferiores. Ele morreu, foi sepultado, mas ressuscitou e, na ressurreição Ele deu Vida para muitos de nós. Hoje temos aquela “Vida do grão de trigo” dentro de nós.

“Vida do grão de trigo dentro de nós” significa que, agora, temos a Vida de Deus em nós. Dentro de nós há vida, a Vida do grão de trigo, a Vida de Cristo, a Vida espiritual está em nós, em nosso espírito regenerado.

O caminho da Cruz começa com a nossa inclusão na morte e ressurreição em Cristo. Podemos afirmar que a nossa inclusão é a porta que se abre para a Vida eterna. Mas, o principio da Cruz continuará por toda eternidade.

O Senhor está nos chamando para seguir o caminho da Cruz. Não é uma questão de ter morrido para o pecado; não é uma questão de apenas vencer as tentações, mas é o morrer para nós mesmos.

O caminho da Cruz é algo que precisamos levar continuamente. Não é somente uma questão de estar morto para o pecado, mas é uma questão de estar morto para si mesmo, para o ego, o eu.

O caminho da Cruz, ou o principio da Cruz, tem como finalidade fazer fluir a Vida de Cristo: Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal (2 Corintios 4:10-11).

Quando realmente o principio da Cruz começa a operar, o Espírito Santo bordará e desenvolverá a beleza de Cristo em nós. Esse é o único meio pelo qual, Rios de Água Viva podem fluir de dentro de nós.

Gordon Watt assim expressou o significado da Cruz: “Nosso Senhor Jesus só tem um molde para produzir o caráter cristão, e esse é a cruz. Eu e você não podemos alcançar nosso objetivo se não for da maneira em que Ele alcançou o seu objetivo, e Ele faz passar cada um pelo molde da cruz, a fim de expressá-Lo aqui e reinar com Ele no porvir”.

Que sejamos constrangidos pelo amor revelado na Cruz de Cristo e por ela moldados à Sua imagem! Amém.

Humberto Xavier Rodrigues

1ª Igreja Batista de Londrina

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