SOFRER É UM CAMINHO, NÃO O DESTINO

E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado. Romanos 5:3-5

sofrimentoO sofrimento é um assunto que intriga demais, nós, seres humanos. Isto porque, todos sofremos. De maneiras diferentes e variadas, mas todos, sem exceção sofrem. Daí, não só a indagação, mas a luta para dele fugirmos ou ainda buscar sua superação e consequentemente um tremendo empenho investigativo para tentar descobrir se nele há sentido.

Como estudantes, podemos nos dedicar à leitura, à meditação e ao pensamento lógico sobre o tema, e sabemos que existe um grande material para a pesquisa em campos do conhecimento como, por exemplo, a filosofia, psicologia, entre outros departamentos das chamadas ciências humanas, porém esta dedicação à compreensão do tema quase nunca promove consolo.

Mesmo em trabalhos teológicos, o que sempre podemos perceber em contato com tais obras, é quase sempre a aridez pretensa de se explicar o Ser de Deus. No entanto, a tentativa de conciliar a existência do sofrimento e de Deus no mesmo espaço e ambiente, ou seja, a tão sonhada teodisséia, sempre resulta em fracasso porque o sofrimento é um problema humano.

A teodisséia falha no seu método de estruturação porque pressupõe que o sofrimento depõe contra a e existência de Deus, isto é, se Deus é bom, por que permite a dor? Assim, acredita que a angústia é a evidência da inexistência de Deus, ou pelo menos seu silêncio e ausência. Todavia as escrituras sustentam a antropodisséia, a qual além de mostrar que o sofrimento é um problema essencialmente humano, torna incontestável a queda e o pecado.

Quando apenas nos concentramos em conhecer o sofrimento através dos livros; telejornais; documentários e congêneres, no fundo estamos atrás de um bom argumento afim de que ele sirva de analgésico frente ao espanto com o qual nos deparamos quando somos atacados em nossa doutrina, porém, quando vivenciamos, não apenas o nosso sofrimento mas também os de outras pessoas, percebemos a inutilidade do conhecimento teórico sobre o assunto.

O choque com a realidade nos faz migrar da intelectualidade para a Palavra de Deus. E a Palavra nos revela que o sofrimento é o chão no qual viveremos desde a queda até a consumação da redenção. E a Adão disse: Porquanto destes ouvidos à voz de tua mulher e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Gênesis 3:17.

A palavra do Senhor alertava aos nossos primeiros pais que a conseqüência do pecado seria a morte, e o fato de terem continuado vivos sempre pareceu ferir a seqüência normal dos fatos. Isto porque tomamos a palavra morte no sentido súbito, enquanto que o sentido da palavra no texto indica morte relacional, portanto, separação de Deus.

Com a queda, fomos banidos da glória de Deus. Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Romanos 3:23. Isto significa que sem a glória de Deus permanecemos num estado de rebelião. Estamos feridos para a morte à semelhança de um animal alvejado na caça que delira induzido pelo instinto de fuga que o impele a correr, imaginando que poderá escapar do caçador e conseqüentemente da morte.

Não pode haver ausência de dor, sofrimento, agonia, maldade e injustiça entre nós, porque a morte é a marca da rebeldia. O mundo dia-a-dia sofre cada vez mais um estrangulamento, que a cada expiração retira espaço de onde se deveria captar oxigênio, o que numa alusão, poderíamos comparar à captura de um animal feito vítima por uma sucuri com a raça humana rebelada espremida pelo pecado.

Assim, para a velha criatura, o sofrimento gera lamento, murmuração, impaciência, intolerância, blasfêmia e toda sorte de azedume da alma. O velho homem sofisticado entra em conluio e constrói sistemas, tratados e até enciclopédias inteiras com a finalidade de ensinar uma visão de mundo que se adapte a este torniquete. O sem sofisticação é maldizente e hostil em seu conhecimento proverbial mesmo, tendo que se arranjar com uma gambiarra grosseira, porém ambos com a mesma premissa de tentar respirar um pouco melhor.

Todavia, sabemos que o Senhor não está ausente no sofrimento, pelo contrário, Ele promove a redenção, e na angústia é socorro presente, mas lembre-se, a redenção é um processo desencadeado desde a queda, cuja plenitude se consumará no dia em que contemplarmos a Jerusalém celeste, aquela que tem a Glória de Deus: e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu. E tinha a glória de Deus. Apocalipse 21:10b- 11a.

A garantia da redenção a temos da parte de Deus que já a conquistou na cruz do calvário onde o mundo foi desfeito na morte de seu Filho. Está consumado! A vida regenerada nos é graciosamente concedida pela vida que vence a morte. A vida que causa em Deus total contentamento e por este motivo Ele a ressuscita no terceiro dia, fazendo com que agora o salvo nela possa participar.

A história será desdobrada em órbita tendo como eixo este fato. A obra da Cruz. Tudo é ressignificado pela cruz. O sofrimento somente desaparecerá totalmente após a concretização plena da redenção, ou seja, quando não mais existir rebeldes. Mas para aqueles que veem o reino de Deus e que nele já entraram, continuam a viagem em companhia do sofrimento, porém, reagindo á ele de forma bem diferente, pois o sofrimento do salvo, além se ser provisório, produz outros frutos.

É verdade que muitos sofrimentos são inevitáveis. Por exemplo: Uma doença repentina e inesperada, uma catástrofe natural ou mesmo um acidente automobilístico por motivos de pane mecânica. Por outro lado muitos são os sofrimentos que podem ser evitados.

Uma grande dívida, que pode nos tirar o sono durante anos, poderia não ter sido contraída. Acidentes de automóveis podem ser evitados com prudência, ou seja, existem situações onde o bom censo e a cautela ainda continuam sendo bons antídotos.

No entanto, quero mencionar outro tipo de sofrimento. Aquele que vem de Deus. Aquele que se deve por ele optar. Um sofrimento que é optado em decorrência da persuasão do Espírito que nos chama a vivermos pela fé, à sombra da cruz. Sofrimentos estes que são decorrentes da mortificação do Senhor Jesus em nosso corpo com a finalidade de que a vida Dele seja também em nosso corpo manifesta (2 Co 4: 10).

É um tipo de sofrimento recomendado na Palavra de Deus, para que apresentemos os nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, como forma de culto ao Senhor, pois esta é a forma de se experimentar Sua vontade. É um sofrer que acontece por amar o irmão. É um padecer a restrições e privações inerentes ao ato de servir àqueles que estão ao nosso redor.

Pode ser também um sofrimento que nos atinge dentro do nosso próprio lar, mas que por amor a Cristo, escolhemos atravessá-lo conscientes de que esta renúncia redundará em maior glória ao nome de Jesus, bem como favorecer a redenção que está em operação em nossa vida e que Deus visa através destas circunstancias promover a regeneração também das pessoas que são atingidas pelo viver de Cristo em nós.

Angústias que nos assaltam, em vista do confronto massacrante entre valores que recebemos de cristo e aqueles que regem o mundo. Aborrecimentos que nos são impelidos pelo fato da nossa fé confrontar o mundo. Perseguições cuja única explicação é aquela dada pelo próprio Jesus: Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós. João 15:20b.

Então precisamos sempre de forma sóbria e com discernimento do Espírito, analisarmos como estamos vivendo diante do Senhor. Se padecemos por desobediência ou ausência de domínio próprio colhemos tribulações que embora evitáveis, foram incorporadas no nosso caminhar, cujo reparo se dá com reconhecimento do erro e desejo sincero de abandono da transgressão.

Caso a dor, mesmo que intensa e profunda surja, reconheça o Senhor em todos os seus caminhos. Saiba que o maior desejo do Pai é formar Cristo em nossa vida e que nesse processo de edificação de seu caráter em nós, nunca deixa de vir acompanhado de dor, de espantos, de perplexidades e assombros. Jamais se esqueça que Deus não possui outro método senão a cruz e quando olhamos para a cruz Jesus, podemos ver que ela é símbolo de humilhação, abandono e traição. Mesmo assim não pare de caminhar.

Com a vida de Cristo temos a garantia de um espírito vivificado e por isso podemos com Deus nos relacionar. Em nossa alma, soberanamente o Senhor trabalha para nos conformar a imagem do novo homem e isso implica renúncia em nome daquilo que Deus considera bom. Obediência é realizar a vontade daquele a quem consideramos inabalável quanto ao seu caráter e não confiarmos na nossa capacidade de julgar o pedido.

No processo de redenção do nosso corpo, temos a garantia de que assim como Jesus ressuscitou dentre os mortos, assim também seremos revestidos de imortalidade. E assim como ele não viu corrupção, na ressurreição nossos corpos serão à semelhança do Dele. Quando acometidos por doenças e limitados em nossa saúde, levantemos os olhos para descansar no fato de que este corpo é transitório e que a última palavra sobre nós quem a tem é o Senhor.

Ore a Deus, peça a cura, pois Ele pode curar. E mesmo a cura física não está atrelada ao poder de Deus puro e simples, antes o lastro da ação restauradora do altíssimo, é também a cruz e assim creia que Ele pode invadir a história antecipando agora o que há de vir.

Pela obra completa da redenção, podemos descansar confiantes de que nada e nem ninguém poderá nos separar do amor de Deus revelado em seu Filho. E de que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. Romanos 8:18.

Por isso sofrer não é um verbo que os filhos de Deus conjugam, antes pelas dores os filhos legítimos do Senhor caminham. Os nascidos do alto conjugam outro verbo, o verbo adorar, porque sabem qual é seu destino.

 

Cilas Fernandes Rocha

Julho de 2013

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