GLORIANDO NA CRUZ – PARTE 08

Gálatas 6:14 – “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo”.

gloriando_na_cruzContemplar a cruz? Mas ela não tem atrativos e nem beleza; como posso ficar olhando para ela? O que posso ver nela? Esta é a nossa reação natural. Sabemos, no entanto, que os cristãos do passado contemplaram e amaram a cruz de Cristo. O que eles viram nela? O que levou o apóstolo a gloriar somente nela? Porque as Escrituras falam tanto dela? Isaías 53, Salmo 22 e muitos outros textos reportam para a cruz de nosso Senhor. Ao ler as Escrituras, não tem como negligenciar o Cristo crucificado. “Ah! Senhor, revela-nos mais desta tremenda verdade”. Quando lemos o livro de Levítico, vemos que tudo ali aponta para a cruz de Cristo. Todos os rituais dos sacerdotes do Velho Testamento são sombras da cruz de Cristo. Desde o início, Deus estava querendo nos ensinar a respeito da cruz. Ele usa figuras e linguagens para nos revelar a cruz de nosso Senhor. Porque o Pai deu tanta importância à cruz? O que o Pai tem para nós ali? Puxa, temos que orar: “Ó Senhor, revela-nos mais da tua cruz e de Ti mesmo”. Quando os israelitas, na saída do Egito, tiveram que sacrificar um cordeiro e colocar o sangue nas ombreiras das portas, aquilo tudo simbolizava o que Cristo faria na cruz. Por esta razão, o apóstolo diz que Jesus Cristo é o nosso Cordeiro Pascal (I Coríntios 5:7). No deserto, o povo morria pela picada de cobras e, a mando de Deus, Moisés precisou levantar uma serpente de bronze para que, o que a mirasse, fosse salvo (Números 21:4-9). Com isso, Deus já falava da cruz de Cristo, como o apóstolo João diz no capítulo 3:14 do evangelho: – “E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado”. Percebemos que Deus nos dá dicas e mais dicas para que olhemos para a cruz de Seu Filho. Até mesmo através do apóstolo Paulo em I Coríntios 2:2 – “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado”. Se é somente o Cristo crucificado, é porque não há nada que O substitua ou que se compare à Ele. Não há nada que funcione senão a cruz de Cristo. O apóstolo pregava somente o Cristo crucificado e gloriava somente na cruz de Cristo. Dá a impressão que o apóstolo encontrou o que Deus queria mostrar desde a antiguidade. O que ele encontrou que nós ainda não encontramos? Somente o coração sedento, que busca sinceramente ver o que Deus tem na cruz é que vai receber a revelação. Deus certamente verá o cristão que está envolto, concentrado, voltado para a cruz. Deus sabe do desejo do coração daquele que contempla a cruz e, para este, certamente vai revelar o que os apóstolos viram.

Ao atentarmos para as palavras do Senhor Jesus enquanto aqui esteve, veremos que Ele mencionou muitas vezes a cruz. Aliás, Ele sempre a teve como alvo. Ele sabia que era para ali que estava indo. A cruz não foi surpresa para Ele. Quando chegou a hora de ir para a cruz, Ele próprio disse: João 12:23 – “Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem”. E foi na cruz que o Senhor glorificou o Pai: João 17:4 – “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer;”. A cruz fazia parte da Sua vida o tempo todo. A razão da Sua vinda foi a cruz. Lucas 9:51 mostra a determinação do Senhor de ir à cruz em Jerusalém: “E aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia ele ser assunto ao céu, manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém”. Verso 53 – “Mas não o receberam, porque o aspecto dele era de quem, decisivamente, ia para Jerusalém”. O que O esperava em Jerusalém? A cruz! O Senhor sabia que precisava ir à cruz. Já antes, Ele dizia: “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer” (João 12:32-33). Porque o Deus encarnado estava tão concentrado na cruz? Ao observar estes aspectos nas Escrituras, devemos animadamente olhar para a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo e nela atestar as insondáveis riquezas do evangelho do Senhor.

Em Atos 2 vemos o apóstolo Pedro pregando o primeiro sermão da era cristã. Verso 23 – “sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos iníquos”. Em Atos 4:27-28 vemos Pedro e João glorificando a Deus a respeito da cruz de Cristo. Eles tinham consciência que foi Deus quem determinou a cruz antes mesmo da fundação do mundo. “porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram;”. Os apóstolos não só pregaram o Cristo crucificado, como também, sabiam que a cruz foi o desígnio determinado por Deus antes da fundação do mundo. O mesmo apóstolo João, já bem idoso, não havia perdido a revelação da cruz de Cristo. Escrevia às igrejas da Ásia, enquanto estava exilado na ilha de Patmos: Apocalipse 13:8 – “e adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”. Os apóstolos jamais deixaram de anunciar a importância da cruz de Cristo. O que viram na cruz que nós ainda não temos visto?

Creio que estes homens viram a sua própria sujidade, imundícia, podridão e perdição. Viram também a única solução na cruz de Cristo; a única possibilidade de mudança ao morrer juntamente com Cristo e com Ele também ressuscitar. Viram que pela cruz Deus faria o milagre do novo nascimento, dando-lhes um novo coração, libertando-os da escravidão do pecado e enchendo-lhes o coração com a presença do Cristo ressuscitado. Estes homens que se gloriavam na cruz viram o amor de Deus ali exposto. Viram a glória de Deus na cruz, o caráter santo e justo de Deus. Viram Deus em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo: “a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação” (II Coríntios 5:19). O que mais podemos ver na cruz? Certamente muito mais!

Estes santos do passado viram a graça maravilhosa de Deus na cruz. A graça redentora, reconciliadora, regeneradora. Viram o Deus de toda a graça em ação. Na cruz é possível ver o Deus santo e amoroso, graciosamente, amando e salvando o pobre e indigno pecador. A cruz é a prova cabal da graça de Deus. A cruz é o Deus da graça vindo salvar o imundo pecador da condenação e morte. Cruz é pura expressão da graça de Deus.

Estes homens que contemplaram a cruz de Cristo viram nela a plena justiça de Deus. Deus satisfazendo-se a Si mesmo na morte de Seu Filho. O Filho pagando pelos nossos pecados a fim de nos fazer justos diante de Deus. II Coríntios 5:21 – “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. A cruz é a mais concreta prova da justiça de Deus.

Estes servos de Deus viram na cruz a grande misericórdia de Deus. Deus não imputou aos homens as suas transgressões (II Coríntios 5:19). Ele simplesmente poderia ter esmagado a cada um de nós e só não o fez por que Ele é grande em misericórdia. Seu amor e misericórdia transferiu para o Filho a Sua ira. Jesus Cristo tornou-se nossa propiciação, isto é, sofreu a ira de Deus em nosso lugar. Romanos 5:9 – “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira”. I João 2:2 – “e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro”. Teria exemplo maior da misericórdia de Deus? A cruz é a tremenda misericórdia de Deus sobre nós.

O apóstolo Paulo viu na cruz o poder e a sabedoria de Deus. Deus, na cruz, praticou a justiça para salvar o injusto pecador; amou e agraciou o que nada merecia, reconciliou seus inimigos, incluiu os perdidos em Cristo e fez deles seus próprios filhos. Na cruz vemos a sabedoria e o poder de Deus fazendo do impossível, o possível! Fazendo o que jamais poderíamos sequer imaginar. Fez do imaginável, a maravilha das maravilhas. Quanta sabedoria há na cruz! I Coríntios 1:23-24 – “mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus”. A cruz é o poder e a sabedoria de Deus para nos salvar.

Certamente há muito mais para vermos na cruz; por isso,

atentemos para ela para nela gloriarmos.

 

Pr. Mario Tsuyoshi Yamakami

Comunidade Bíblica Regenerada   –   Cristo vive em nós

Maringá, Maio de 2014.

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