A CRUZ DE CRISTO (Andrew Fuller)

 Dr. Michael Haykin é professor de história da igreja e espiritualidade bíblica no Southern Theological Baptist Seminary em Louisville, Kentucky. Ele é autor dos livros: “Palavras de Amor” e “Redescobrindo os pais da igreja: Quem eles eram e como moldaram a igreja” (Editora Fiel).

26 de Dezembro de 2013 – Vida Cristã

gloriando_10Quem, na opinião de Charles Haddon Spurgeon, foi o maior teólogo do seu século? Bem, ninguém mais do que Andrew Fuller, o pastor batista e teólogo missionário que pastoreou durante a maior parte da sua vida, em Kettering, Northamptonshire, na antiga Inglaterra. Se alguém perguntasse a Spurgeon as razões de sua admiração por Fuller, uma razão que ele poderia dar seria a ênfase de Fuller sobre a centralidade na cruz.

Em toda sua vida cristã, Fuller foi convencido de que a cruz de Cristo era a essência do Cristianismo. Em 1802, ele defendeu que “ela é o ponto central, no qual se encontram e se unem as linhas da verdade do evangelho”. Assim como o sol é absolutamente vital para a manutenção do sistema solar, assim “a doutrina da cruz é para o sistema do evangelho; é a sua vida”.

Outras observações semelhantes aparecem em uma série de obras de Fuller. Em um sermão pregado em 1801, Fuller traz à memória de seus ouvintes: “Cristo crucificado é o ponto central no qual se encontram e se unem todas as linhas da verdade do evangelho. Não há outra doutrina nas Escrituras que tenha uma relação tão importante”.

A morte redentora de Cristo na cruz, Fuller declarou em 1814, nada mais é do que “o sangue vital do sistema do evangelho”. Em resumo, a cruz é “a magnífica peculiaridade e a principal glória do cristianismo”.

A cruz de Cristo equivale ao próprio evangelho. A doutrina da salvação através do Cristo crucificado é única. Pregar o Cristo crucificado é pregar verdadeiramente o evangelho. Diante dessa visão sobre a morte de Cristo, não ficamos surpresos em encontrar Fuller afirmando a respeito da doutrina da cruz.

Diz que “Deus, em todas as eras, se deleitou em apontar para a cruz”. Qualquer que seja o lugar onde a igreja tenha experimentado tempos de vitalidade e vigor espiritual, isto é  “tempos de grande avivamento”, Fuller dizia que – ali a obra expiatória de Cristo obteve um lugar de exaltação. A cruz realmente foi pregada.

Fuller observou que essa foi a doutrina central da Reforma, e à qual os Reformadores deram proeminência. Foi o tema principal dos puritanos e dos antepassados espirituais de Fuller. Em seus dias, os triunfos missionários dos morávios nas Índias Ocidentais, o trabalho entre os esquimós na Groelândia só deram frutos porque a cruz ali triunfou.

Foi pregada a “doutrina da expiação pela inclusão na morte de Cristo. Como o apóstolo Paulo, seu ministério foi pregar o Cristo crucificado. Quando Fuller olhou para além da realidade histórica, isto é, para a eternidade e o céu, ele foi convencido de que, ali também, a cruz era o “tema preferido” de seus habitantes.

Assim sendo, se uma igreja ou denominação rejeita a doutrina da cruz, ela não é nem um pouco melhor do que uma “massa morta e pútrida”. Não pregar a cruz de Cristo seria simplesmente anular os escritos do Antigo Testamento. Tudo perde sentido. O evangelho é aniquilado e deixa de ser as “Boas Novas da salvação” aos pecadores. Deixar de pregar a cruz de Cristo é anular a razão do cristianismo, é roubar sua glória e desprezar a alegria da salvação.

Por que, por exemplo, muitas igrejas anglicanas nos dias de Fuller eram tão pouco frequentadas? Perguntaram para ele. Sua resposta foi: “Porque o clero não pregava a doutrina da cruz de Cristo”. Somente a pregação da Palavra da Cruz traz a alegria da salvação e a revelação da verdade do Evangelho. A perspectiva assumida na cruz era, portanto, uma grande linha divisória entre o cristianismo genuinamente bíblico e o nominal.

Como Fuller declarou: “Enquanto tivermos uma mente segundo os apóstolos, que estavam determinados a conhecer e a pregar apenas o Cristo, e este crucificado, não correremos perigo de nos desviarmos da verdade, em qualquer de seus âmbitos. Se, porém, perdermos de vista esta “estrela-guia, que é a cruz de Cristo”, logo tropeçaremos nas pedras do erro”.

Então foi assim que Fuller, quando estava falecendo em 1815, em sua última carta para seu grande amigo e mais tarde biógrafo, John Ryland Jr., reafirmou a centralidade da cruz.

Antes de partir para a eternidade disse: “Eu sou uma criatura pobre e culpada, mas Cristo é meu Salvador poderoso. Eu preguei e escrevi muito contra o abuso da doutrina da graça, mas toda essa doutrina é o que me salva e é o que desejo. Não tenho nenhuma outra esperança fora dessa salvação por meio da simples graça soberana e eficaz, através da cruz de meu Senhor e Salvador. Com essa esperança, eu posso entrar na eternidade com tranqüilidade”.

Comunidade Bíblica Regenerada   –   Cristo vive em nós

Maringá, Junho de 2014.

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