REJEIÇÃO DA CRUZ

Marcos 15:30-32 – “Salva-te a ti mesmo, descendo da cruz! De igual modo, os principais sacerdotes com os escribas, escarnecendo, entre si diziam: Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se; desça agora da cruz o Cristo, o rei de Israel, para que vejamos e creiamos.Também os que foram crucificados o insultavam”.

rejeição da cruzA cruz mexeu com todos que presenciaram o espetáculo. Os mesmos que ovacionaram o Mestre, agora zombavam do Salvador por causa da cruz. A cruz era um espetáculo horrendo, capaz de arrancar do fundo do coração do homem todo tipo de desprezo e zombaria. Os líderes judaicos escarneciam, os criminosos O insultavam.

Para os que rejeitam a cruz, o melhor seria que Jesus descesse dela. A cruz ofende a mente humana, confronta a razão e agride a lógica. A menos que nos harmonizemos com ela, certamente a rejeitaremos. Qualquer pessoa, em sua própria razão, não aceita a cruz. Ela parece ser algo totalmente fora de moda, alheia à nossa vida cotidiana. Não faz parte da nossa cultura e nem dos nossos costumes. Ela se apresenta tão rude e cruel, tão longe de fazer parte daquele cristianismo que gostamos. Para muitos, o melhor seria se Cristo tivesse descido da cruz. Desta forma, com certeza faria muito mais sucesso entre os judeus. Se, naquela hora crucial, Ele tivesse descido da cruz, certamente os líderes creriam Nele. Afinal, eles preferiam o Cristo do Monte, onde proferiu aquele lindo sermão. Aquele Cristo tão cheio de compaixão que multiplicou pães e peixes para a multidão faminta. É esse Cristo que eles queriam. O Cristo que cura o leproso, liberta o cativo, dá vista ao cego e transforma a água em vinho. Os judeus jamais imaginariam que o seu Mestre acabaria numa cruz horrenda. Eles não entenderam a cruz, mas o Senhor sim; por isso, não desceu.

Quando vemos as pessoas pedindo para Ele descer da cruz, não estaríamos também enquadrados neste grupo de pessoas quando simplesmente negligenciamos a cruz de Cristo? Será que temos, quase que inconscientemente, rejeitado a cruz em nosso viver? Quando não queremos negar a nós mesmos e tomar nossa cruz, não seria isto uma rejeição à cruz? Naquele dia muitos não declararam para Ele descer da cruz, como fizeram os principais sacerdotes juntamente com os escribas mas, não teriam eles também o mesmo pedido em secreto? O fato de não carregar no corpo o morrer de Jesus em nosso dia-a-dia, não seria isto uma maneira secreta de rejeitar a cruz?

Que bom que Jesus não desceu da cruz. Assim Ele tornou-se o nosso querido Salvador. Foi naquele madeiro amaldiçoado que Ele começou a reinar para todo o sempre. Foi ali na cruz que Ele pôde dizer: Está consumado! Tudo fez para nos redimir para o Pai. Porque Ele permaneceu na cruz, o véu do santuário se rasgou de alto a baixo, a terra tremeu, as rochas fenderam e os sepulcros foram abertos e alguns santos foram ressuscitados. Foi na cruz que nosso Salvador nos livrou dos grilhões do pecado e da morte; trazendo esperança e vida a todo pecador (Mateus 27:51-54).

Como foi bom o Salvador não ter descido da cruz, pois desta forma pagou a nossa dívida e nos livrou para sempre da ira vindoura. Foi na cruz que Jesus nos atraiu para que morresse com Ele o nosso velho homem a fim de nos livrar da escravidão do pecado (Romanos 6:6). Infelizmente temos ainda hoje aqueles que querem o mesmo que os principais sacerdotes. Muitos pastores pregam um Jesus maravilhoso, que cura, liberta e abençoa. Apresenta o Jesus de Nazaré, não o Cristo crucificado. O apóstolo Paulo pregava o Cristo crucificado e não o Jesus de Nazaré. I Coríntios 2:2 – “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado”. Muitos crentes gostam de ver e ouvir pregadores que cospem fogo e espantam os demônios no grito; mas ficam desanimados quando lhes é pregado a cruz de Cristo. Parece que a cena da crucificação não mudou ainda hoje. Há uma rejeição generalizada pelo Cristo da cruz. As igrejas querem curar o câncer do pecado e do orgulho sem a quimioterapia da cruz. Por séculos e séculos, os governos tentam restabelecer a ordem social e a paz mundial através de uma religião sem cruz. Tudo sem sucesso, pois a raiz do orgulho e do pecado permanece no coração do homem. O único machado capaz de cortar essa raiz é a cruz de Cristo. Somente a cruz pode tratar desta vida egocêntrica do “eu”. O monstro do orgulho dentro de nós só pode ser derrotado pela cruz de Cristo. Toda tentativa da religião de pintar o eu de “bonzinho”, tem sido um fracasso total. A religião do amor e do sucesso está tão na moda, mas nada pode contra o pecado e o orgulho. Nestas última décadas surgiram igrejas e mais igrejas, denominações e mais denominações; tantas que em apenas uma quadra encontram-se até 3 igrejas bem próximas. Algumas abrem bem em frente a outra, sem cerimônia alguma. Trazem bandas, fazem coreografias e apresentam pregadores eloqüentes para que a igreja cresça em número; mas nada disso pode resolver o problema do pecado e da morte. Não falam de cruz e nem de morte, pois a vida já está difícil para todos, pensam esses pregadores. Aqueles que rejeitam a cruz pregam o bem-estar, o sucesso, a prosperidade e a vitória. Se parecem com Pedro quando tentou afastar o Senhor da cruz. Foi só o Senhor começar a falar de Seu sofrimento e morte de cruz que, de imediato, Pedro chamou-o à parte e reprovou-o (Marcos 8:31-33). Somos tão parecidos com Pedro, pois sensibilizamos imediatamente com o sofrimento alheio e não queremos que ninguém sofra, afinal somos uma igreja do amor. Eu chamaria esta igreja de: igreja do amor próprio. O Senhor Jesus olhou bem os discípulos e repreendeu Pedro dizendo: Arreda-te, Satanás! A rejeição à cruz levou o Senhor a repreender desta forma. Sempre que procuramos rejeitar a vida de cruz, devemos saber que satanás está por trás. Quando rejeitamos a cruz, rejeitamos as coisas de Deus. A igreja deve rejeitar veementemente, como o Senhor fez, tudo que não tem unidade com o Cristo crucificado e ressurreto. A igreja deve cuidar para jamais tirar a cruz de Cristo do âmago. A cruz de Cristo é a chave de ouro que Deus deu à igreja. Devemos usá-la, jamais perdê-la. Sem cruz não há cristianismo, não há igreja viva, não há esperança. Sem cruz não há morte para o pecado, para o mundo e para o “eu”. Então, a desgraça continua! Rejeitar a cruz é rejeitar a salvação de Deus, é negar o próprio Deus. Jesus não desceu da cruz… e você?

Ele não rejeitou a cruz.

Pr. Mario Tsuyoshi Yamakami

Comunidade Bíblica Regenerada   –   Cristo vive em nós

Maringá, Julho de 2014.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s