EU NÃO QUERO MORRER

O maior problema do homem é ele mesmo. Eu sou a minha maior dificuldade e o maior conflito. Em inglês, eu, se escreve com um I maiúsculo, pois eu não posso admitir, nessa língua, que eu seja minúsculo. Eu sempre quero ser o maior, o visto e reconhecido.

waterAí de mim! Meu coração é meu maior inimigo. Eu nunca fico contente quando a minha vontade não é satisfeita. Eu estou sempre magoado quando sou contrariado. Eu, e ninguém mais, sou a causa da minha causa não ter uma causa sem custo pra mim. Vivo o tempo todo fazendo tudo para que eu seja totalmente visto por todos.

O meu eu é tão absoluto que ele chama a atenção dos outros até mesmo ao se desestimar. Uma das táticas mais egoístas é fingir a humildade. A pessoa pode parecer o bicho da goiaba só para despertar os olhares de uma plateia distraída. Eu sou o centro do mundo e jogo com todas as cartas para não perder a partida. Eu me basto o bastante!

E como posso me libertar de mim? De mim mesmo não posso me livrar, pois o que posso fazer, só posso, porque posso me exaltar. Eu não posso permitir que eu tenha que sair do palco. O eu não se desestima, sem antes se estimar. Não há possibilidade do eu se salvar de si mesmo. Na cirurgia, não sou eu que me opero, é o médico.

O eu tem que ser extirpado. A vida cristã não sou eu quem vive, mas é o Cristo quem vive em mim. Não sou eu que me converto, mas sou convertido pelo Espírito Santo. Eu não me salvo, sou salvo pela graça. Não me santifico, sou santificado pela suficiência do Altíssimo. Se a Trindade não fosse Onipotente eu não seria salvo da minha autonomia.

O cristianismo autêntico é uma viagem sem o eu, ainda que – comigo. Meu ego tirano precisa ser tirado na cruz com Cristo. Não há lugar para esse obeso na canoa: ou o eu sai, ou a fé cristã afunda na hipocrisia. O velho Adão não tem postura de renúncia.

Uma vez salvo, salvo para sempre, e, salvo de mim. Que bênção! Alguém disse que a depravação do ego é o grande obstáculo à fé, mas, a graça é a maneira pela qual a Trindade supera esse obstáculo. Só o Deus Absoluto pode absolutamente salvar-nos dos absolutismos do nosso eu, mantendo-nos fora de quaisquer possibilidades de governo.

O espírito da cruz tem muito mais a ver com o desmonte do ego, com os seus surtos de vaidade, do que qualquer outro inimigo da saúde espiritual. Ninguém pode ter o mínimo de sanidade psíquica sob a dominação insaciável de si mesmo. O egoísmo não é apenas pecado, mas encontra-se na raiz de todo pecado.

Na cruz, com Cristo, o eu foi crucificado e a Bíblia, assim, o diz. Por outro lado, aquele, que foi salvo de si, precisa levar o morrer de Jesus em seu corpo, para que a vida de Cristo se manifeste em seu modo de viver. Mendigos da graça, não temos alternativa: ou o eu sai, na cruz, ou Cristo não vive em nós.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

Extraído do blog VALE.estreito

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