IGREJA NÃO INSTITUCIONALIZADA

Tiny-Church-Overlooking-Misty-Valley,-GermanyA igreja é noiva do Senhor, Sua amada, a menina dos Seus olhos. Cristo é o Cabeça dela e tem o comando, o controle, a preeminência (Efésios 5:23). Jesus Cristo é o único Senhor da igreja. A igreja deve ser totalmente Dele e de mais ninguém. Ela precisa estar totalmente submissa à Ele (Efésios 5:24). A igreja é o corpo vivo de Cristo e está ligada à Ele, são inseparáveis (Efésios 1:23). É Ele quem cuida e alimenta-a (Efésios 5:29).

Nenhum pastor ou líder eclesiástico deve usurpar o lugar de Cristo. João Batista foi fiel ao Senhor. João 3:28-29 – “Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor. O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim”.  Ela foi comprada por um precioso preço, o sangue do Cordeiro; portanto, pertence à Ele, é Dele e para Ele (I Pedro 1:18-19).

O povo de Israel foi escolhido e chamado para ser o povo santo de Deus. Deus os ensinou a adorá-Lo; porém, com o passar do tempo, o fogo interior do Espírito foi-se apagando. A adoração foi reduzida a formas, ritos, costumes e tradições. Todas as vezes que perdemos o fogo do Espírito em nosso interior, somos conduzidos à periferia, à superficialidade, ao vazio. Dá para entender porque o Senhor disse que o Pai procura verdadeiros adoradores que O adorem em espírito e em verdade (João 4:23-24).

A igreja hoje precisa voltar à adoração no espírito e não na tradição institucionalizada. A igreja tem procurado formas e mais formas de se fazer culto. Outras mais estão sempre adorando da mesma maneira a séculos. Volto a dizer que, quando a igreja perde o fogo interior do espírito, ela se torna uma igreja morta com formas institucionalizadas de adoração à Deus.

O fogo do altar jamais deve se extinguir. No livro Levítico 6:8-13, Deus orienta os sacerdotes a manterem aceso o fogo do altar continuamente. A impressão que se dá é que as igrejas hoje tentam acender o fogo no domingo para que haja adoração só neste dia. Os crentes vão à igreja no final de semana, mas não tem o fogo do espírito aceso continuamente. Contentam-se em formas, religiões, denominações e cultos animados com muitos atrativos. Os crentes estão na alma, não no espírito. Adoram de boca para fora. Precisamos voltar a ser a igreja do Senhor, centrada Nele, em adoração somente à Ele. Esta vida de adoração da igreja só é possível através da cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Sem a vida de cruz, os religiosos começam a dominar, controlar e a fazer segundo o seu próprio entendimento. Afastam-se do centro de Cristo e tornam-se uma religião institucionalizada pelo homem, segundo o homem, de propriedade do homem. A institucionalização das religiões acaba com a adoração em espírito e em verdade.

A liderança não crucificada ama o poder, a fama e o dinheiro. Querem ter o controle da igreja; logo se esquecem que o Cabeça é Jesus Cristo. A igreja cristã foi institucionalizada a partir do IV Século com o imperador Constantino. Separou-se o clero dos leigos, instituiu-se a religião católica romana. Vemos pela história que séculos seguintes foram chamados de “era das trevas”. A institucionalização da igreja cristã transformou-a em religião morta. A luz do Espírito foi apagada e as trevas tomaram conta da igreja. Deus, em Sua misericórdia e graça sempre enviou profetas no Antigo Testamento para trazer o povo à centralidade do Senhor. Enviou reformadores como Martinho Lutero, João Calvino, Agostinho e muitos outros mais ao longo da história para trazer a igreja à centralidade de Cristo e não dos homens.

No tempo em que o Senhor Jesus aqui esteve, o judaísmo era a religião oficial e institucionalizada. Seus líderes foram chamados de “fariseus cegos”, eram escravos da lei. O Senhor não concordava com eles e os repreendeu várias vezes. Certamente o Senhor continua reprovando a igreja legalista, controlada por homens e mulheres que não são nascidos de novo. Muita coisa tem sido feita em nome da religião, sem a anuência do Senhor, sem estar em harmonia com a Bíblia.

Quando se perde a centralidade de Cristo pela ausência da cruz, o institucionalismo começa a prevalecer pela mão do homem. Assim, os cultos ganham forma, o cerimonialismo e a tradição fincam raízes e prevalecem dentro das igrejas. A igreja passa a ser dos homens e não mais de Cristo.

Muitos homens de Deus do passado protestaram contra o formalismo e a corrupção das igrejas institucionalizadas. Bernardo de Cluny no século XII, São Francisco de Assis, Martinho Lutero e muitos outros. Deus sempre levantou homens para trazer a igreja à centralidade de Cristo. Ainda hoje continua trabalhando para isso.

A institucionalização da igreja e a falta da cruz de Cristo leva-a à periferia da vida cristã verdadeira. A igreja acaba por morrer, pois não mais nutre de Cristo e sim das tradições, dogmas e leis. A igreja começa a comer nas mãos de seus líderes cegos e corruptos. Deixa o verdadeiro Pão Vivo que desceu do céu. João 6:33-35 – “Porque opção de Deus é o que desceu do céu e dá vida ao mundo. Então, lhe disseram: Senhor, dá-nos sempre desse pão. Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede”.

Quando nos tornamos uma igreja humanista, cheia das coisas do mundo, uma igreja morta, acabamos por não notarmos que os cultos se tornaram monótonos. Até parece que vamos “bater ponto”, cumprir uma obrigação religiosa. Isto não agrada a Deus, não aproveita para nada.

Mateus 15:8-9 – “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens”.

Um pastor brasileiro que gosta de visitar templos e catedrais disse que, em uma dessas visitas, o capelão desta catedral o acompanhou. Disse que aquela catedral era réplica exata de uma famosa catedral da Europa. O artista lá esteve e copiou fielmente e trouxe ao Brasil. Então começou a mostrar algumas manchas nos vitrais, partes um pouco desbotadas. Ele disse que a catedral da Europa tinha resistido às guerras e ao passar dos séculos; por isso, havia sido incrustrada poeiras nos vitrais. Com as chuvas, as laterais dos vitrais estavam um pouco desbotadas. Pois bem, disse ele, o artista retratou perfeitamente os vitrais e os copiou até mesmo o desbotamento, como pode ver. Até a poeira acumulada por séculos foram retratadas perfeitamente. Esses vitrais são exemplo do que aconteceu com Israel e com a igreja cristã ao longo dos séculos. No início foram fervorosos e adoravam de fato a Deus. Mas, ao passar dos séculos, a mão do homem foi sujando, embaçando e controlando o culto a Deus. Quase que imperceptível, acostumados, tudo se tornou frio e distante da verdadeira adoração a Deus.

Precisamos examinar como estamos hoje. Cobertos com a poeira do mundo e das marcas dos dedos dos homens? Ou estamos adorando a Deus em espírito e em verdade? Sem dúvida, é melhor ter uma igreja pequena e verdadeira do que uma grande denominação rica; porém morta e vazia. Parece que hoje temos muitas igrejas como a de Laodicéia. Apocalipse 3:15-18 – “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas”. É melhor ser uma igreja cristã pura e simples do que parecer uma igreja rica e próspera. É melhor ter um cristianismo vivo e verdadeiro do que uma religião cheia de compromissos e programas animados; porém, oca, vazia e morta.

Tendo posto sobre o perigo da religião que pode nos levar para longe de Cristo, desejamos afirmar nossa visão e fé sobre a igreja do Senhor. Somos uma igreja bíblica. A Bíblia é o nosso único manual de fé e prática cristã. Ela é a planta sobre a qual a igreja de Cristo aqui em Maringá está sendo edificada. Dela vem o nosso alimento, fé, vigor, alegria, esperança e vida. Não desejamos nada além do que ela nos concede. Não desejamos nenhuma interferência humana, nenhum costume ou rito religioso fora dela. A exemplo dos reformadores do passado, nada desejamos além da Bíblia. Tudo que a Bíblia fala, ensina e concede, é tudo que realmente desejamos. Qualquer coisa que esteja fora dela, repugnamos com veemência. Simplesmente desejamos tão somente o que a Bíblia tem para nós.

Somos uma igreja de Cristo. Cristo é o nosso centro, o nosso Pastor, o Senhor, o Deus único, o Salvador, o tudo da igreja. Ele é o nosso fundamento (I Coríntios 3:11). Nossa suficiência e riqueza está Nele somente. Ele e somente Ele, nada mais além Dele. Jesus Cristo e mais ninguém. Não desejamos Cristo e mais alguma coisa. Ele nos basta. Não buscamos nada mais além Dele. Nele temos plena satisfação e gozo, Ele é o nosso Amado. Cremos que toda a simplicidade da igreja é para que ganhemos Cristo em sua totalidade.

Como pastor, tudo que desejo para a igreja é Cristo. Não desejo obter fama, riqueza, reputação ou qualquer outra coisa do homem, pois a vida crucificada me fez morrer para essas coisas. O pastor crucificado não tem mais desejo das coisas do velho homem; em Cristo está toda a sua satisfação. Tudo que desejo é estar em Cristo e para Cristo. A minha sede só pode ser saciada por Ele, por nada mais, por ninguém mais. Cristo é a minha vida. Os que vivem a vida crucificada não buscam posição, riqueza ou fama. Não brigam para tomar o poder da igreja, para ser o próximo pastor, não lutam por posições dentro da igreja. O crucificado só deseja conhecer mais a Cristo a fim de agradá-Lo mais e mais. Se o próprio Senhor conceder casa, carro ou qualquer outro bem material, isto não será o centro de sua vida; apenas Cristo.

Quando nós O conhecemos, não nos interessamos mais com formas e rituais religiosos; apenas com Cristo. Nenhum conforto material, nenhuma beleza visual, nenhum agrado da carne pode tirá-lo do centro de Cristo. Quando vivemos Cristo, ficamos aborrecidos quando outros querem impor qualquer “novidade religiosa”, qualquer substituto de Cristo, qualquer programa eclesiástico de entretenimento. Tudo que esta igreja deseja é Cristo e Sua preciosa Palavra. Isto sim satisfaz o coração do crucificado. Os religiosos, em geral, são ávidos por coisas novas, coisas que animam e alegram a alma, mas não consegue alimentar o espírito. Vivem de programas e mais programas, atividades e mais atividades. Precisam de endorfina e morfina espiritual, calmante e sedante. Desconhecem Cristo, o verdadeiro Descanso. Aqueles que conhecem a Deus não mais são levados por todo vento de doutrina, as artimanhas dos homens não mais o prendem, pois seus olhos estão postos somente no único Senhor, o Senhor Jesus Cristo.

Desejamos sinceramente que esta igreja seja toda do Senhor Jesus até a Sua vinda. Que não haja nada, absolutamente nada, que venha estar em desacordo com a Bíblia e com o coração do Senhor Jesus. Desejamos caminhar no temor do Senhor, sem estar preso como instituição humana, sem ser escravo de homens, tradições, formas e costumes.

Que Deus nos conceda a graça de, livres das mãos de inimigos, o adoremos sem temor, em santidade e justiça perante ele, todos os nossos dias – Lucas 1:74-75. Leia Lucas 12:32 e Sofonias 3:12.

Pr. Mario Tsuyoshi Yamakami

Comunidade Bíblica Regenerada   –   Cristo vive em nós

Maringá, Junho de 2015.

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