CRISTO JESUS, HOMEM I

I Timóteo 2:5 – “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”.

cristoA teologia foca mais o Jesus Cristo divino, Poderoso, o Filho de Deus. Mas, é necessário que conheçamos melhor o Cristo Jesus Homem; o Filho do Homem, como Ele próprio gostava de referir a Si mesmo. Ao longo da história da igreja, sempre se levantaram aqueles que duvidavam da humanidade do Senhor Jesus. A teologia foca mais o Jesus Cristo divino, Poderoso, o Filho de Deus. Mas, é necessário que conheçamos melhor o Cristo Jesus Homem; o Filho do Homem, como Ele próprio gostava de referir a Si mesmo. Ao longo da história da igreja, sempre se levantaram aqueles que duvidavam da humanidade do Senhor Jesus. Filipenses 2:7 – “antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,”.

O Filho Eterno do Pai, a segunda Pessoa da Trindade, não teve começo e não terá fim; mas o Filho Encarnado – o filho de Davi, o filho de Maria, o Messias – teve um começo no tempo e espaço. Este Filho, Jesus Cristo, foi trazido à existência por meio do poder do Espírito Santo, quando a natureza do Filho eterno foi unida miraculosamente com a natureza humana criada no ventre de Maria.

Lucas 1:31-35.

Nas Escrituras, a designação “Filho” é usada a respeito da segunda pessoa da Trindade em três sentidos distintos, mas relacionados.

  1. Jesus, O Verbo em João 1:1 relaciona-se ao Filho Eterno do Pai Eterno. Temos outras passagens que refere-se à divindade de Jesus: João 3:16-17; Hebreus. 1:1-2. Jesus antes da encarnação.
  2. Jesus é referido como Filho de Deus; porém, como Aquele Encarnado, o Filho de Davi, o Filho de Maria, o Deus Homem Encarnado, concebido pelo Espírito Santo e nascido de Maria. Lucas 1:31-35; João 1:34,41,49. Jesus enquanto encarnado.
  3. Jesus, o Filho de Deus, o Messias crucificado e ressurreto, exaltado, que reina, o Senhor que venceu a morte: Atos 13:33-34; Romanos 1:3-4; Hebreus 4:14. Jesus depois da encarnação.

A concepção de Jesus na virgem Maria foi algo inusitado. Ali houve a união da natureza divina com a humana. Por isso, o ente gerado foi filho de Maria (Lucas 1:31) e também, o Filho de Davi, seu pai (v.32). Este mesmo Filho é também o Filho do Altíssimo (v.32), e também o Filho de Deus (v.35). Em outras palavras, Ele seria plenamente humano (filho de Maria) e, também, plenamente divino –         Filho do Altíssimo (v.32). O milagre que o Espírito Santo realizou foi conceber em Maria o “Deus-Homem”, Jesus Cristo, filho de Davi e Filho de Deus.

Jesus é a prova de que Deus pode unir o humano ao divino. Podemos, mesmo sendo humanos, receber a nova natureza e sermos participantes da natureza divina (II Pedro 1:4). Verdadeiramente podemos dizer, ao passar pela cruz e nascer de novo: Cristo vive em mim!

Quando recebemos a iluminação pelo Espírito Santo, ficamos eternamente gratos Àquele que se fez carne para que pudéssemos ver, conhecer e viver junto ao Divino. A encarnação do Senhor é de extrema importância à nossa fé, ao cristianismo, à igreja; pois ela está diretamente ligada à redenção da raça humana.

I João 4:2-3 – “Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo”. No verso anterior diz que muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. Eles não conseguem confessar que Jesus se fez carne. Este é um assunto muito pouco ventilado nas igrejas; porém, de extrema importância para que firmemos nossa posição como cristãos verdadeiros. Somos uma igreja que crê na encarnação de Jesus, cremos na Sua obra da cruz, cremos na Sua ressurreição e Ascenção e cremos na Sua vinda em breve.

Antes de Sua encarnação houve o auto esvaziamento do Filho de Deus. O Senhor não veio simplesmente a este mundo; antes, precisou esvaziar-se de Si mesmo. Como divino, Ele teria todo poder, seria onisciente, onipotente e onipresente. Um humano, não seria meramente humano exercendo estes poderes divinos. Por esta razão, foi preciso que Jesus se esvaziasse de Si mesmo antes de Sua encarnação.

Filipenses 2:5-8 – “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz”.

Para entendermos que Jesus Cristo foi 100% Deus e 100% homem, precisamos conhecer um pouco do seu esvaziamento antes de se encarnar. No grego é a palavra: “kenosis”.

1 – Nesta passagem, fica claro primeiramente que Jesus Cristo é o Filho eterno de Deus, é 100% divino, é Deus. Ele diz que Jesus existia “em forma de Deus” (v.6). Aqui aparece a palavra “forma”, no grego é: “morphê”. Esta palavra refere à natureza interior e não à forma externa e visível. É importante trazer este esclarecimento porque, no nosso português, a palavra forma nos traz imediatamente a ideia de algo visível, exterior. Aqui, ela se refere à natureza divina, e não à forma exterior. No verso 7 aparece outra vez esta palavra. É uma afirmativa que Jesus não assumiu uma aparência de servo e, sim, a natureza de um servo. Ele foi verdadeiramente um servo, por isso, obedeceu até à morte e morte de cruz. Vemos essa natureza enquanto aqui estava. Marcos 10:45 – “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. Em João 13 vemos Jesus lavando os pés dos discípulos, como um verdadeiro servo, com a natureza de servo. A sua natureza de servo é que levou a agir como um servo.

Filipenses 2:6 pode ser traduzida assim: “Jesus, sendo a “forma de Deus”, existindo em sua própria natureza como Deus, tendo a substância interior divina que somente Deus tem”. Ele é plenamente Deus, porque existe na “forma de Deus”. Quando Hebreus 1:3 diz que Ele é a expressão exata do seu Ser, refere-se à esta “forma”, ou a natureza intrínseca de Deus. São afirmações da deidade de Cristo. Em João 1:1 não só diz que o Verbo estava com Deus, como também diz que o Verbo era Deus. Cristo é Deus. Não foi à toa que Ele disse aos judeus que Ele e o Pai eram um só (João 10:30). Os judeus não entenderam a deidade de Jesus e também, não entenderam a encarnação do Deus Filho. Isso tudo levou-os a não receber o Filho de Deus (João 1:10-11).

2 – Filipenses 2:6 diz que Jesus, mesmo tendo a forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus. Aqui Ele está dizendo que Cristo não insistiu em se prender a todos os privilégios e benefícios de sua posição como Deus, ao lado do Pai. Isto não quer dizer que Ele desistiu de ser Deus, ou que Ele deixou de ter a forma de Deus. Porque Cristo é plenamente Deus, não pode jamais deixar de ser Deus. Não tem como Deus cessar de ser Deus, pois Deus é imutável, eterno. Ele foi, é e será eternamente o mesmo. Ao assumir a forma de servo encarnado, Jesus, mesmo sendo Deus, não insistiu em querer vir com todos os poderes e glórias que Ele sempre teve junto ao Pai. Ele não se agarrou ou se apegou ao seu lugar de igualdade com o Pai e a tudo que isto lhe proporcionava. Humildemente e obedientemente aceitou o papel de servo e obedeceu ao Pai. Jesus não foi um usurpador, Ele humildemente abriu mão de suas prerrogativas. Temos nós lutado pelos nossos interesses e bem estar? Brigamos com unhas e dentes pelos nossos direitos? Queremos justiça a qualquer preço? Jesus não fez isto! Jesus viveu a cruz antes mesmo de vir para a cruz. Ele morreu para si a fim de que nós pudéssemos viver. Este é o caminho do cristão. Abrir mão de seus direitos e privilégios, morrer para si e obedecer a Deus em tudo. Que exemplo Jesus nos dá. Mesmo continuando a ser totalmente Deus, Ele não se agarrou nem se prendeu à posição, aos direitos e às prerrogativas dos privilégios que sua igualdade com o Deus Pai lhe proporcionava.

3 – Filipenses 2:7 – “antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,”. A “si mesmo se esvaziou” dá a ideia de “derramar-se a si mesmo”. Mais uma vez precisamos entender que Ele não deixa de ser Deus. Ao derramar-se a si mesmo, Cristo deixa todo o seu privilégio, suas mordomias, digamos assim, para assumir a forma de servo. Ele não perde nada de sua forma de Deus, de sua natureza divina, do seu Ser de Deus. Ele continua 100% Deus; porém, deixa de usufruir os privilégios e por isso, Ele derrama estas coisas para poder acrescentar à sua divindade, a humanidade de servo. Ele derrama para acrescentar, isto é incrível. Ele continua sendo Deus e acrescenta a isso o ser servo dos homens. Isto implica em vir como plenamente homem e viver como um servo entre os homens. Ele não derramou algo de si, Ele derramou a Si mesmo. Ele, o Deus Eterno, acrescentou a natureza de servo e se tornou o Deus-Homem.

Cristo Jesus Homem, o Deus que assumiu a natureza humana sobre si mesmo.

Uma ilustração para entender esse esvaziar e esse derramar de Jesus. Lembre-se, Ele não perdeu nada de sua forma de Deus, Ele continuou sendo Deus. Ele sempre foi Deus, até mesmo em Sua encarnação. Apenas foi acrescentada a natureza humana Nele. Digamos que uma pessoa vai à uma concessionária da Honda. Lá o vendedor atende com gentileza e simpatia. Ele mostra um Honda Civic brilhando, lindo, perfeito. Esta pessoa é levada para um test-drive. Para provar que o carro é bom até mesmo em estradas de chão, ela dirige até à parte rural da cidade. Como havia chovido, obviamente havia muitos trechos com barros e lamas. Ao voltar do test-drive, o carro está coberto de lama. A impressão é que aquele brilho todo se foi; porém, ele continua ali. Apenas foi acrescentado barro sobre ele. Assim foi com Jesus, Ele continuou sendo Deus, apenas foi acrescentado a natureza humana. Assim como aquele brilho todo foi ofuscado pelo barro, assim também, Cristo não pode expressar toda a sua divindade enquanto homem.

Quando vemos passagens sobre Cristo, não o que estava encarnado, mas o glorificado, vemos expressões como o de Hebreus 1:3 – “Ele, que é o Resplendor da Glória”. Vemos que após a Sua ressurreição e ascensão, Ele é o Rei da Glória (Salmo 24). Em Sua Ascenção, Ele deixou o barro humano; logo Sua glória voltou como era desde o início.

Uma outra ilustração para entendermos melhor o texto de Filipenses 2:5-11. Um rei poderoso vivia com todas as mordomias e privilégios. Cercado de glória e poder. Um dia, ao visitar uma vila distante do seu palácio, viu a pobreza e o sofrimento do seu próprio povo. Aquela imagem não lhe saía da cabeça. Noites e noites sem dormir, impactado com a pobreza e sofrimento do povo. Para entender e poder ajudar, o rei resolve viver entre os pobres e abandonados. Veste-se como um mendigo e passa a morar naquela miserável vila. Apesar de ter os melhores cozinheiros do reino, ali na vila, com muita fome, ele experimentou a fome e a miséria. Quando ficou doente, apesar de ter os melhores médicos do reino, ficou abandonado sem nenhum tratamento. Quando era insultado por homens maus, apesar de ter um exército poderoso, ele não abria a sua boca para chamá-los. Lembra quando o Senhor estava sendo julgado antes de sua crucificação? Mateus 26:53 o Senhor diz que poderia rogar ao Pai para mandar naquele momento mais de doze legiões de anjos. Mas Ele não fez! Sofreu calado! Poderia, pois é Deus, mas não o fez porque era servo. Como aquele rei, apesar de ser o próprio rei, ele não usou de seus privilégios e direitos e poderes. Viveu como um mendigo para aprender a interceder pelo seu próprio povo. Este rei viveu plenamente e com autenticidade a vida de um mendigo; assim como o próprio Senhor viveu a vida de um homem. Ele, Cristo Jesus, o Deus que se tornou Homem.

Ele, mesmo sendo Deus, abriu mão de Sua glória e veio como servo. Nasceu em uma estrebaria suja e mal cheirosa. Não tinha onde reclinar a cabeça, precisou emprestar um cenáculo e uma cria de jumenta e até mesmo um túmulo. Apesar de ser o dono de tudo, não requereu para Si, abriu mão e se tornou um servo. Como servo, obedeceu ao Pai até a morte e morte de cruz; através da qual nos libertou, salvou e transformou meros mendigos pecadores em filhos de Deus.

Hoje, o Senhor nos ensina a importância do “kenosis”, isto é, do auto esvaziamento. Ele é o exemplo de Alguém que abriu mão da glória. II Coríntios 8:9 – “pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos”.

O derramar de Si mesmo foi crucial para que Ele pudesse morrer na cruz. Precisamos aprender a derramar a nós mesmos e tomar nossa cruz e seguir o Senhor Jesus.

CRISTO JESUS HOMEM – O DEUS QUE SE FEZ HOMEM PARA PODER LEVAR O HOMEM A DEUS.

 

Pr. Mario Tsuyoshi Yamakami

Comunidade Bíblia Regenerada   –   Cristo vive em nós

Maringá, Julho de 2015.

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