RETRATO DE UM CRISTÃO – ESTUDO II

blonde woman looking her reflection in a mirror

Por muitos anos, eu trouxe uma imagem errônea a respeito do cristão. Havia criado um retrato segundo o que aprendi nas igrejas e nos livros evangélicos. Mas agora, após o novo nascimento e, segundo o Espírito e a Palavra, vejo como o retrato do cristão é tão diferente daquele que eu mesmo havia pintado para mim.

Em minha religiosidade e ignorância cristã, achava que cristão era um filho do Rei, um príncipe com Deus, um invencível e super-herói que diz: “tudo posso naquele que me fortalece”.

Mas, à medida que fui recebendo a revelação da minha natureza perversa e, ao mesmo tempo, a revelação da Pessoa de Cristo, vi que o verdadeiro cristão não tem nada a ver com o super crente.

À medida que caminhamos com Cristo, vamos vendo que cristianismo é: “menos eu e mais Cristo”. Daí, vamos descobrindo que a vida cristã não é apenas um “mar de rosas” ou “tudo beleza pura”.

É e não é! É um misto de lutas e alegria, batalha espiritual e paz de espírito. É morrer para si mas, ao mesmo tempo, viver para Deus. É servir ao próximo com amor e receber o grande amor de Deus. É humilhar-se diante de Deus e ao mesmo tempo sentir-se tão honrado. A vida cristã é um verdadeiro paradoxo. Uma mistura de sofrimento e alegria, provações e risos, dores e louvores, tristezas e gozo intenso em Deus. Em resumo, não obstante as provações, é uma satisfação em Cristo que não tem tamanho.

À medida que vamos conhecendo Cristo, vamos vendo que Deus está nos desconstruindo. “Convém que Ele cresça e eu diminua” é uma realidade para o verdadeiro cristão. Vamos experimentando a vontade soberana de Deus e a nossa incapacidade e indignidade. A grandeza de Deus e a nossa pequenez. A graça se torna tão maravilhosa e o louvor tão espontâneo.

As coisas vão acontecendo conforme os desígnios do Senhor e não como nós mesmos planejamos. Começamos a ver que Ele é o Senhor e nós, servos; que Ele é Soberano, e nós, apenas barro. Vamos diminuindo em nosso próprio conceito e ao mesmo tempo, vamos depositando a fé somente em Cristo. Assim, vamos deixando de querer fazer tudo à parte Dele e vamos nos tornando cada vez mais submissos e dependentes. Percebemos que estamos caminhando em uma direção: Esta direção é: “não mais eu, mas Cristo”.

Neste trabalhar de Deus, o tempo é um instrumento muito eficaz. Tudo parece demorado para aquele que está aprendendo a confiar e esperar Nele. Neste tempo, começamos a ver que nada somos e que Deus é tudo para nós. Somos barro e Ele é o Oleiro. Aprendemos que nada podemos e que Deus tudo pode. Que nada temos e que tudo é de Deus. O sentimento de gratidão cresce neste tempo. A palavra “GRAÇA” torna-se tão real, viva e presente. Dos lábios começam a brotar verdadeiro e sincero louvor à Deus pela Sua maravilhosa graça.

Jesus Cristo torna-se o Senhor e o mais Digno. O mais amado e desejado. À esta altura, podemos dizer: “para mim, o viver é Cristo”. Ele é tudo para nós, o centro e a razão do nosso viver. Permanecemos Nele com alegria, apesar das lutas e dificuldades neste mundo perverso. Considerá-Lo atentamente torna-se comum e correr com perseverança a carreira cristã olhando firmemente para Ele é o nosso dia-a-dia.

Temos certeza que somos ricos Nele (I Coríntios 1:5) temos, de fato, a Pérola de grande valor. Não resta dúvida alguma de que estamos no verdadeiro Deus e na vida eterna (I João 5:20).

No tempo que nos resta neste tabernáculo, vivemos para Ele, que por nós morreu e ressuscitou (II Coríntios 5:15). Não mais o mundo, o pecado, a lei e o ego; apenas o Amado. O coração palpita por Ele, por Sua vinda. Os olhos estão fixados para o Alto, onde Cristo vive (Colossenses 3:1-2). A glória porvir já é sentida e aguardada com expectativa e exultação (II Coríntios 4:17).

Dizer “maranata”, vem Senhor Jesus, é como que dizer um “olá Senhor”. Aguardá-Lo sem adormecer, mas em constante vigilância é o nosso estado de espírito diário.

Mas, até que cheguemos à estatura de Cristo (Efésios 4:13) e ao pleno conhecimento Dele, passaremos pelo trabalhar de Deus. Ele está nos moldando como o Oleiro faz com o barro. Ele está formando Cristo em nós (Gálatas 4:19). Aquele que começou a boa obra em nós está completando-a (Filipenses 1:6) para que, no dia do Senhor, subamos com Ele como a sua gloriosa noiva.

Sendo assim, haverá muitos paradoxos em nossa caminhada cristã. Deus não permitirá que nos acomodemos neste mundo vil. Ele enviará provas e mais provas para que a nossa confiança esteja apenas Nele. Toda a autoconfiança deve ser destruída por completo, pois nos impede de crermos na suficiência Dele. Ele nos fará dependentes em todo o tempo, até ao ponto de termos plena consciência que, sem Cristo, nada podemos, nada somos (João 15:5). O verdadeiro cristão diz: “E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus; não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus” (II Coríntios 3:4-5).

Enquanto queremos fazer tudo do nosso jeito, com o nosso esforço e conhecimento, haverá ainda muito trabalho para Deus. Ele terá que nos amassar, nos deixar frustrados e derrotados, cansados e tristes. O ponto deste trabalhar Dele chama-se: “falência de nós mesmos”.

De nossa parte, enquanto não houver a “entrega total e irrevogável de tudo que somos e temos”, haverá o “amassar o barro”, para que Ele faça de nós vasos de honra, vasos úteis (II Timóteo 2:20-21).

Você está sendo desconstruído? Está sendo amassado? Sente-se frustrado? Ótimo! Sinal de que, Deus está te transformando à imagem do Seu amado Filho. Há esperança para você!

O cristão não nasceu pronto, bonitinho, parecido com Jesus. Deus precisou desconstruí-lo por completo para então formar Cristo nele. As muitas e constantes provas foram as companheiras inseparáveis por anos e anos. Até chegar ao retrato do cristão, Deus precisa trabalhar muito em nós. Muitas vezes, nem mesmo temos noção do quanto trabalho damos ao Pai celestial. Mas Ele é paciente e amoroso. Ele não desistirá do sonho de nos ter parecidos com o seu amado Filho. Romanos 8:29 – “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.

Todo este trabalhar de Deus visa nos glorificar Nele e nos trazer para Ele. No verso seguinte (v.30), vemos que já fomos predestinados para Ele, fomos chamados, justificados pela cruz e agora, estamos sendo preparados para sermos glorificados Nele. Fomos criados para o seu louvor e glória (Efésios 1:6); por isso, Ele está nos moldando ao caráter de Cristo. Os irmãos que nasceram de novo e estão sendo lapidados, certamente desfrutarão da glória eterna.

Quando temos esta revelação, todas as lutas e tribulações neste mundo não são nem para comparar com a glória porvir. II Coríntios 4:17 – “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação”.

Aos cristãos do primeiro século, sendo intensamente provados, recebem do apóstolo Pedro palavras de consolo e esperança. I Pedro 1:6-9 – “Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais precioso do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma”.

Neste lindo retrato do cristão, Pedro não fala de prosperidade, vitória, cura ou bênção. O contexto é de provas e tribulações e ao mesmo tempo, de alegria e exultação. A alegria do verdadeiro cristão não está em ganhar na loteria federal; mas em ser provado pelo Senhor.

Vamos ver mais um retrato do cristão. II Coríntios 4:7-12 – “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos; levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. De modo que, em nós, opera a morte, mas, em vós, a vida”. Estas palavras não saem de um coração triste, amargurado ou desanimado. São palavras de um cristão feliz, animado, empolgado. Tanto que, no verso 16, logo adiante, ele exorta a que não fiquemos desanimados. Êita cristão animado este aí. As tribulações são motivo de ânimo e alegria, aleluia!

Esse cristão aí falou muito mais. Filipenses 3:1 – “Quanto ao mais, irmãos meus, alegrai-vos no Senhor. A mim, não me desgosta e é segurança para vós outros que eu escreva as mesmas coisas”. Certamente, o apóstolo diria: gente, não estou triste, não estou chateado; pelo contrário, estou alegre no Senhor.

Quer saber? Este cara aí estava trancafiado em um calabouço horrível, abandonado, já era um velho e passava por privações (Filipenses 1:13). Ele não falou estas coisas sentado em seu belo e confortável escritório, com um copo de café quente ao seu lado. Nada disso! Humanamente falando, ele estava em uma situação sub humana. Mas havia alegria transbordante, havia gratidão à Deus (Filipenses 1:3). Na realidade, ele já tinha a sentença de morte pelos romanos. Em breve seria morto e sabia que o tempo de sua partida estava próxima (II Timóteo 4:6). Mas continuava cheio de alegria e esperança. Mesmo que estava para ser morto, havia abundante alegria em seu coração. Filipenses 2:17-18 – “Entretanto, mesmo que seja eu oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, alegro-me e, com todos vós, me congratulo. Assim, vós também, pela mesma razão, alegrai-vos e congratulai-vos comigo”. Isto é ser cristão. Alegria na prisão, na privação e na morte iminente.

Neste cristianismo puro e verdadeiro, a morte e o sofrimento não assustam mais. Pelo contrário, torna-se motivo de alegria e louvor. E o segredo disso tudo está em Cristo Jesus, o Senhor. Foi Nele que o apóstolo encontrou toda a segurança e alegria transbordante. Não foi à toa que ele disse várias vezes: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” (Filipenses 4:4).

Como cristãos, alegremo-nos no Senhor. Não deixemos que as crises, dificuldades e tribulações nos deixem amargos e derrotados. Agora sabemos que Deus usa as circunstâncias para nos preparar para a glória. Sigamos cheios de esperança, sem vacilar.

As dificuldades nos sinalizam que estamos caminhando para o céu. Então, alegremo-nos no Senhor,  inclusive nas tribulações.

Cristão é aquele que apanha calado e não reclama de nada; apenas sorri olhando para Jesus.

Pr. Mario Tsuyoshi Yamakami

Comunidade Bíblica Regenerada   –   Cristo vive em nós

Maringá, 01 de Maio de 2016.

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