NEGUE-SE – ESTUDO IV

19Leia Mateus 5:1-12

Lembro-me que, na década de 80, ouvi um missionário chamado Ivailton, ou simplesmente Ton, dos Vencedores por Cristo. Ele esteve ministrando aos equipantes do Acampamento Panorama sobre as “Bem-aventuranças”, em Mateus 5. Ton nos ensinava com uma doce e suave voz, com um olhar meigo e uma postura humilde. Mais do que os ensinos verbais, sua vida foi um grande desafio para mim.

Amei ouvir Mateus 5:1-12, o famoso sermão do Monte que Jesus proferiu no início do Seu ministério terreno. Que palavras estupendas! Simplesmente maravilhosas! Porém, um tanto quanto ilógicas, difíceis de se praticar e viver. Especialmente para mim, pois ainda tinha os resquício da velha vida briguenta.

Lembro-me de que fiquei confuso e entrei em parafuso, pois me esforçava para praticar o Sermão da Montanha; porém, era praticamente impossível para mim.

Como ser humilde de espírito se eu sempre queria ser o número 1? Não admitia perder em nada, nem mesmo no par ou ímpar. Na quadra de esportes era um leão enfurecido; entrava para vencer todas as partidas. Me achava craque e vencedor; totalmente contrário ao “humilde de espirito”. O humilde de espírito é aquele que se considera tão incapaz e ao mesmo tempo tão dependente de Deus. É um mendigo totalmente necessitado de Deus.

Ser manso? Só na igreja, diante do pastor e olha lá! Não me continha diante daqueles que queriam brigar comigo. Eu tentava viver uma mansidão disfarçada. Dentro de mim havia justiça próprio e furor. Era briguento e mal encarado.

Ser misericordioso? Eu queria é sentar a mão na cara do outro e até o fiz algumas vezes; inclusive no seminário teológico. Não conseguia contar até três antes de partir para a briga. Jogava o caderno no chão e já estava dando uma voadora.

Ser limpo de coração? Minha mente vivia poluído com impurezas e safadezas. Era esperto e traiçoeiro; passava a perna nos amigos e ninguém ficava sabendo. Malandro que só!

Com tanta esperteza e força bruta, jamais era perseguido; pelo contrário, eu é que perseguia os mais fracos. Então, como o Senhor fala em ser perseguido por causa da justiça ou por Sua causa? Esta mensagem era linda, mas não era para mim. Eu pensava que, se um dia fosse um homem de Deus, talvez pudesse vive-la.

Fiquei desanimado e perdi o prazer por esta passagem da Escritura. Era demais para mim, ou melhor, era impossível que eu pudesse pratica-la. É só para os santos, pensava eu.

Na minha ignorância e cegueira, estava certo. Eu, por mim mesmo, jamais conseguiria vive-la. Só Cristo em mim. Para isto, era preciso que eu recebesse a revelação da minha morte e ressurreição com Cristo. Para viver este sermão, primeiro era preciso NASCER DE NOVO. Eu não sabia disso; não conhecia a cruz de Cristo.

Sem o novo nascimento, nenhum homem, até mesmo os pastores e líderes, não conseguem viver estes maravilhosos ensinos. Naquela época, foi-nos ministrado o sermão; não o ensino do novo nascimento. Não falaram nada de cruz; nada da nossa inclusão na morte de Cristo. A velha criatura aqui tentou, tentou e tentou sem jamais conseguir praticar este lindo sermão. Foi como dizer à lagarta: “a partir de hoje você precisa voar livremente”. Impossível!

O Senhor Jesus disse: “Sem mim nada podeis fazer”. É isso mesmo! Que ousadia querer praticar o Sermão do Monte sem Ele. Somente uma pessoa que morreu para si e vive para Cristo, em Cristo e tem Cristo vivendo nele, é capaz de viver este sermão. Só após a experiência da cruz onde dizemos: “Estou crucificado com Cristo; logo, não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Só posso viver se Cristo se manifestar em mim.

Sem Cristo em nós, não podemos oferecer a outra face, deixar também a capa ou andar a segunda milha. Sem a vida de Cristo, não tem como ser a luz do mundo ou o sal da terra. Jesus Cristo faz toda a diferença. Sem Ele somos simplesmente NADA. Sem a vida de Cristo, nosso cristianismo é pura religião, puro farisaísmo, pura farsa.

Sem o novo nascimento, o homem vai continuar querendo matar, adulterar e passará longe de praticar a justiça. Com o ego reinando, sempre vai querer ofertar, orar e jejuar para si mesmo. Seus olhos continuarão carnais, mundanos e egocêntricos. O dinheiro será o senhor de sua vida. Viverá sempre ansioso e inquieto; sem descanso em sua alma.

Felizmente há uma cruz que pode mudar a história de qualquer religioso frustrado e derrotado. Foram centenas e quem sabe, milhares de tentativas fracassadas. Sempre querendo ser bom diante de Deus e dos homens; mas, sempre falhando, especialmente diante da família.

Tanto esforço me levou ao fracasso total. Mas havia uma cruz para mim. Uma cruz que mudou radicalmente a história da minha vida.

O amado Espirito Santo, usando as Escrituras, abriu os meus olhos e pude ver que quando Cristo morreu, eu morri com Ele. Quando Ele ressuscitou, eu ressuscitei com Ele. Sem emoção, sem choro, sem dramaticidade. Simplesmente Cristo veio viver em mim.

Deus, em Sua misericórdia e graça me fez nascer de novo. Nada fiz, nenhum esforço, nenhuma tentativa. Simplesmente recebi a revelação que veio do Alto. Ele operou o milagre do novo nascimento em mim. Meu velho homem problemático que queria reinar no lugar de Cristo foi crucificado. Agora Cristo passou a viver e reinar em mim.

Desde então, perdoar e ser misericordioso tornou-se possível, mais espontâneo, mais sincero. Ser manso e não revidar como dantes, tornou-se real e prático. Comecei a ter consciência que não sou nada, não mereço nada; que não passo de um pó. Diante da grandeza e glória de Cristo, tudo que posso dizer é que Ele é o Rei da Glória. Somente depois que Cristo passou a viver em mim foi que descobri o que é ser pobre de espírito. Isto porque Ele passou a viver em mim com Sua humildade. Ele é a nossa humildade em Pessoa. Ele é manso e humilde de coração (Mateus 11:29). Ele é a nossa Mansidão.

Viver sem a prática do pecado e ter coração limpo é obra de Cristo em nós. Na cruz, Ele nos amou e nos libertou do pecado. Apocalipse 1:5 – “e da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha, o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados”. Cristo, o Santo de Deus em nós, é a única possibilidade de termos um coração limpo. Ele é a nossa Santificação (I Cor. 1:30).

Cristo, a verdadeira luz do mundo em nós, é a maneira de sermos luz do mundo e sal da terra. Nele somos luz neste mundo tenebroso.

Hoje vejo nitidamente que este sermão da montanha, de fato, é lindo, é precioso e é passível de se viver. Mas só é possível viver se primeiro nascer de novo. E, para nascer de novo, primeiro é preciso morrer com Cristo. João 12:24 – “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto”.

A vida cristã começa com a morte de cruz em Cristo Jesus. Sem o Cristo crucificado, é impossível nascer de novo. Não há novo nascimento sem cruz.

Não há nova vida e nem a verdadeira vida cristã sem ser uma nova criatura. Apenas a nova criatura pode viver a vida de Cristo, a verdadeira vida cristã.

Tudo começa com o negar a si mesmo. O próprio Senhor assim nos ensinou. Lucas 9:23 – “Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me”. A vida começa com a morte, a morte do eu.

George Muller escreveu: “Houve um dia em que morri, morri totalmente, morri para George Muller e suas opiniões, preferências e gostos e vontade; morri para o mundo, sua aprovação e censura; morri para a aprovação ou condenação da parte dos meus próprios irmãos e amigos. E, desde então, tenho-me esforçado tão somente para ser aprovado diante de Deus”.

Ele aprendeu a negar a si mesmo. Morreu para si; deixou de ser o velho George que vivia para si. Quem vive para si jamais poderá viver o Sermão da Montanha. Apenas aquele que tem a vida de Cristo poderá praticar este lindo sermão.

Ele morreu para as opiniões ou censuras do mundo, dos entes queridos e de si mesmo = isto é negar a si mesmo. Aprender a negar a si mesmo é uma lição primordial para aquele que deseja viver a verdadeira vida cristã.

George Muller aprendeu a morrer para o mundo, como o apóstolo Paulo. Gálatas 6:14 – “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo”. As opiniões do mundo não interessam mais. A moda do mundo, suas tendências, seus programas; nada mais fascina aquele que morreu para o mundo. O mundo pode estar em festa e celebrações; nada disso importa. O ex-time do coração pode estar na final do mundial; isto não atrai mais. Os amigos da igreja, os parentes, os colegas podem fazer festas e mais festas; isto não o incomoda mais. Mesmo que seja censurado e cobrado, ele não se importa com o julgamento que fazem sobre ele.

George Muller morreu para as opiniões e censuras dos mais íntimos do seu convívio. Não vive mais em função deles ou para eles. Nenhum homem, por mais importante que seja, determinará sua vida. Apenas Cristo! Aprendemos e acostumamos, ao longo da vida, a agradar as pessoas próximas; mas, se não morrermos para elas, não poderemos viver para Cristo.

George Muller morreu, primeiramente, para si mesmo. Ele morreu para a sua própria aprovação ou censura. Sua opinião, gosto, desejo não o determinavam mais. O seu antigo “senhor” morreu. O seu “eu” não reinava mais. Ele aprendeu a negar a si mesmo. Esta é uma das mais importantes lições de vida. Quem morre para si, morre para o mundo e para as pessoas que o determinavam antes. Uma pessoa que morreu para si não se importa com a opinião dos outros. Apenas a opinião de Cristo.

No escrito final de George Muller diz que agora, ele se esforçava apenas para ser aprovado por Deus. Tudo que lhe importava era agradar a Deus, era ser aprovado por Deus, era fazer a vontade de Deus. Agora só uma pessoa o determinava: o Senhor Jesus Cristo. Só quem morreu para si, como o apóstolo Paulo, pode ter a vida de Cristo nele. Gálatas 2:19-20 – “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim;”. Morrer para nós para que Cristo viva em nós. Essa é a maior troca que podemos fazer = não mais nós, mas Cristo.

Negar a si mesmo consiste nesta maravilhosa troca. Perde-se a si mesmo e ganha-se Cristo. Não há coisa melhor, não há negócio mais lucrativo do que este. Negar a si mesmo é pura vantagem para nós.

George Muller morreu para si mesmo, para as suas opiniões, para as suas preferências, para seus gostos e aversões e para a sua própria vontade. Isso sim é negar a si mesmo. Agora a sua preocupação, o seu objetivo, o seu sonho era simplesmente agradar a Deus.

Uma pessoa só poderá desejar agradar a Deus se Cristo viver nela. Sem Cristo, jamais poderemos agradar a Deus. O próprio Cristo, quando aqui esteve, só se preocupava em agradar ao Pai (João 8:29). George Muller encontrou o segredo de agradar a Deus. Este segredo foi aprender a negar a si mesmo para ter Jesus vivendo nele. Morrer para si é o segredo para ter Jesus e agradar a Deus.

Portanto, a preciosa lição de negar-se precisa ser aprendida a qualquer preço.

Quer ser um cristão? Quer agradar a Deus? Quer ser discípulo de Cristo? Quer aprender a praticar o Sermão do Monte? Então, aprenda a negar a si mesmo primeiro.

 

NEGUE-SE É O PRIMEIRO PASSO DO CRISTÃO!

Pr. Mario Tsuyoshi Yamakami

Comunidade Bíblica Regenerada   –   Cristo vive em nós

Maringá, 22 de Maio de 2016.

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