NOVO NASCIMENTO

nascimentoJoão 3:6 – “O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do espírito é espírito”.

Como uma criança é gerada de modo natural? Uma fêmea fértil, em plena fase da ovulação, coabita com um macho fértil e recebe milhões de espermatozoides, e, sem uma explicação plausível, até agora, um deles é o eleito, capaz de fecundar o óvulo.

Como acontece numa fecundação assistida? Quando um dos dois, ou os dois, macho e fêmea, tiverem alguma dificuldade na fertilização, um médico entra, com alguns conhecimentos e tecnologia, para ajudar no processo. O cientista pode eleger o esperma e fecundar um óvulo, então é implantado o ovo e pode ou não acontecer a gestação.

Como Maria ficou grávida? Deus a escolheu e enviou o anjo Gabriel para fazer a anunciação. Ela estava no período fértil e recebeu a Palavra de Deus, como o esperma Divino, que de forma sobrenatural fecundou o seu óvulo e gerou Jesus.

Deus escolheu a Abraão e disse-lhe que o faria uma grande nação. Abraão era um homem de 75 anos e estava casado com uma mulher estéril. Passaram-se 10 anos e nada do menino nascer. Então, Sara, sua esposa, ofereceu a sua escrava, Agar, como se fosse uma barriga de aluguel para ajudar o projeto de Deus.

Abraão era potente e fecundo e Agar era jovem e fértil. Os dois geraram Ismael da potência humana. Foi uma geração compactuada com a esposa, mas fora do propósito de Deus. Essa fecundação foi natural, portanto, é carne.

Deus havia escolhido o casal, Abraão e Sara, para o Seu plano. Era o plano da redenção daqueles que Ele escolhera de todas as famílias da terra. Por isso, tratava-se de um projeto de Deus de caráter sobrenatural. Tudo o que é natural, o ser humano pode fazer, mas o sobrenatural, só Deus. O nascimento de Ismael foi natural, logo, é carnal.

Após 13 anos de silêncio, depois do nascimento de Ismael, Deus fala. E a Sua fala foi um absurdo do ponto de vista natural. Sara fora estéril a vida toda e agora estava na menopausa. Mas, Deus, de modo sobrenatural, quer usar uma velha de 90 anos com um velho de 99 anos e impotente para serem os participantes do seu plano.

Todo nascimento natural é carne, quer seja por fecundação normal ou por uma assistida. Por outro lado, tanto a fecundação de Isaque como a de Jesus é espiritual e sobrenatural. Aqui o ser humano não consegue fazer. Tudo o que nós podemos fazer com a nossa capacidade é carne e carnal. Tudo que só Deus pode fazer é espírito e espiritual.

Assim como Abraão e Sara não podiam gerar Isaque de modo natural, também nós não podemos produzir, naturalmente, o nosso nascimento espiritual. Esta é uma obra sobrenatural que só Deus pode realizar. “Exclua do novo nascimento seu mistério, e você lhe terá roubado a sua majestade,” disse J. Blanchard.

O novo nascimento é um milagre Divino. Do mesmo modo como a virgem ficou grávida pelos ouvidos, os eleitos, em Cristo, são regenerados pelo ouvir a Palavra do Pai. Mas, como isso tudo acontece? Vamos examinar o que se denomina de ordosalutis.

Há uma ordem na salvação, não, necessariamente, de ordem cronológica, mas de caráter metodológico ou no sentido do entendimento.

Do mesmo modo que uma criança é gerada, sem a sua participação voluntária, uma vez que não tem vontade para optar, a nova criatura é regenerada sem a sua volição pessoal. Lutero entendia que a vontade e a mente do pecador encontram-se escravas do pecado, tão profundamente, que são incapazes de decidir em favor da sua salvação. O pecador jamais poderá salvar a si mesmo, ainda que tenha intenso desejo e necessidade.

A salvação não é um projeto que Deus começou depois do pecado. Não. Ela é de origem eterna. Foi projetada antes da criação, como diz o apóstolo Pedro: “mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós”. (1 Pedro 1:19-20).

ordosalutis é, pois, o entendimento, dos que creem na graça plena, de como o Deus da graça aplica a redenção ao Seu povo. Desde a eternidade a Trindade decretou que salvaria um povo exclusivo para Si, através da pessoa de Cristo.

A Bíblia é clara ao dizer que o crente é salvo só pela graça, em Cristo Jesus, e as doutrinas da graça especificam o modo pelo qual esta graça é manifesta em, e através do crente, por meio da pessoa e obra de Cristo Jesus.

A ordem começa assim: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. (Romanos 8:29).

Há um conhecimento antecipado que determina a predestinação propositiva da conformação do crente à imagem de Jesus Cristo. As criaturas divinas precisam ganhar a natureza de filhos de Deus, por meio do Seu Filho. E tudo isso começou na eternidade.

Agora, vejamos como se desenrola a ordem bíblica: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou”. (Romanos 8:30).

Deus conhece de antemão, predestina em Cristo e chama os Seus escolhidos. A Trindade determinou que o caminho normativo de salvação deveria ser através de Sua Palavra. O chamado se instaura pela pregação da Palavra, na transmissão do Evangelho a todas pessoas. Este chamado geral do Evangelho, contém a supremacia de Deus, Sua ira contra o pecado, e a promessa de salvação através de Seu Filho, exortando o homem caído a se arrepender de seus pecados e crer na redenção de Cristo Jesus.

A Bíblia, porém, diz, que esse chamado geral precisa tornar-se eficaz: “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (Mateus 22:14). A eficácia da vocação é determinada pelo dom da fé, pois esta é uma dádiva Divina. Quem crê será salvo.

O apóstolo Paulo disse ao carcereiro: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (Atos 16:31). O problema agora é: “Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?” (João 12:38).

Segundo as Escrituras a humanidade encontra-se numa situação de rebelião e incredulidade radical inata. “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Romanos 3:10-12).

Como uma pessoa, com uma natureza depravada e rebelde pode crer e ainda se arrepender de sua autoconfiança? Impossível. A graça precisa justificar, isto é, torná-la justa com a justiça de Cristo. Esta é a obra da cruz para com os escolhidos. (Rm 5:19)

Uma vez que fomos justificados pelos sacrifícios de Jesus, nós precisamos ser vivificados pela vida de Cristo ressuscitado. A regeneração é também uma obra soberana de Deus na vida do Seu povo. Vale dizer que o povo de Deus não é o povo Judeu, mas o Israel da graça, isto é, todos os que foram vivificados, de todas as nações, pela Palavra.

Desde que fomos regenerados pelo poder da ressurreição, somos capacitados pela vida de Cristo a crer na suficiência de Cristo Jesus e arrepender-nos de nós mesmos ou, da autoconfiança. Arrependimento não é apenas do que fazemos, mas do que somos.

Justificados, do pecado, pela obra de Cristo Jesus na cruz e regenerados pela vida de Jesus Cristo ressurreto, somos habilitados, pelo Espírito Santo, a crer em Jesus Cristo e a arrepender-nos de nós mesmos. Não somos nós que nos convertemos movidos pelo nosso querer, porém, somos convertidos por obra e graça do Espírito Santo.

A graça de Deus converteu-nos de filhos da ira ou filhos do diabo, em filhos de Deus. Este estado de filiação coloca-nos no patamar de adoção, onde somos feitos como herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo, como filhos do Seu amor ou do coração.

A próxima etapa, neste processo de salvação, é a santificação do Espírito, no andar diário do crente. Não somente os eleitos são apresentados como justos através da imputação da justiça de Cristo, mas eles, também, se desenvolvem, espiritualmente, na justiça de Cristo pela Palavra e pelo Espírito. Aqui, o Espírito age e o crente reage.

Todavia, é muito bom pensar como A. W. Pink: “Não há maneira pela qual, por nós mesmos, possamos gerar santificação. Nossa santificação é Cristo. Não há maneira pela qual nós possamos ser bons. Nossa bondade é Cristo. Não há maneira pela qual nós possamos ser santos. Nossa santidade é Cristo”.

Finalmente, “estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”. (Filipenses 1:6). Chegamos aqui ao passo da glorificação. A nossa salvação começou na eternidade e chega à eternidade.

O Deus que conhece de antemão aos Seus, Ele predestina. Os predestinados, Ele chama. Os chamados são justificados e regenerados por Cristo Jesus. Estes, por sua vez, são convertidos pelo Espírito Santo e habilitados como filhos de adoção ao processo de santificação progressiva no crescimento à semelhança da imagem de Cristo, até a sua glorificação com corpos eternos e incorruptíveis.

Assim, a ordosalutis começa na eternidade e continua na eternidade. Tudo é feito, promovido e sustentado pelo Deus Trino. “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Romanos 11:36).

Como bem disse A. J. Motyer: “o plano de Deus para a salvação do ser humano não é uma decisão para remediar uma situação; ele antecede a obra da criação”.

Portanto, se, pela graça do Altíssimo, nós ganhamos essa revelação da misericórdia do Pai, então, prostremo-nos jubilosos em adoração e gratidão. Aleluia! Amém.

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