A BÊNÇÃO DA COMUNHÃO DA CRUZ – Parte 01

gloriando_10Dois dos grandes apóstolos de Cristo falam com propriedade a respeito da comunhão dos sofrimentos de Cristo. Esse parece ser um tema assustador, como a própria Palavra da cruz parecia ser no início. Assim como a cruz revelou ser a maior bênção para o novo nascido; assim também, a comunhão dos sofrimentos de Cristo é para aquele que foi crucificado com Cristo.

Que privilégio entender e participar de Seus sofrimentos pela cruz. A cruz revelou ser bênção e não desgraça. A primeira impressão da cruz nos assusta; porém, quando recebemos a revelação do alto e começamos a experimentar a nova vida, logo entendemos que a cruz é simplesmente maravilhosa. O novo nascido não mais vive sem a cruz; ela é imprescindível em seu viver diário.

Na caminhada pela senda do Calvário, a grande bênção é poder participar dos sofrimentos de Cristo. O crucificado não pode deixar de desfrutar desta bênção chamada “participar dos sofrimentos de Cristo”.

Vemos nos apóstolos tremenda alegria e satisfação ao abordar este assunto. Eles não puderam esconder a imensa satisfação ao participar dos sofrimentos de Cristo. A impressão que passam é que a vida cristã não teria valor e nem graça alguma sem esta participação na cruz de Cristo.

Já chegando ao final da vida terrena, o apóstolo Paulo escreve a carta à igreja de Filipos. Vemos um homem empolgado, animado, dinâmico; desejoso de continuar em sua caminhada, rumo ao objetivo final, que é Cristo. Como é bom ver um homem em seu momento derradeiro, todo animado, sem comodismo, sem conformismo; correndo e completando a carreira que lhe estava proposta. Certamente seu rosto mirava o Salvador, o Amado, o Deus Homem que está à direita do Todo Poderoso. Este apóstolo é um exemplo para cada um de nós. Este pôde dizer realmente, com todas as letras: “somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou” (Romanos 8:37).

Chegar à Cristo, na glória, deve ser nosso anseio maior. Para tanto, precisamos participar dos sofrimentos de Cristo. Olha o testemunho do apóstolo em Filipenses 3. Ele trocou tudo que era de valor neste mundo para ganhar a Cristo. Cristo era sua Pérola de grande valor. Seu alvo era conhecer o Cristo ressurreto ao participar de seus sofrimentos; seu desejo era conformar com Cristo em sua morte. Filipenses 3:10 – “para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte;”. Assim, vivendo como um crucificado, ele prosseguia para o alvo. Filipenses 3:14 – “prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. Certamente aquele que tem Jesus como seu único alvo, prosseguirá até alcança-Lo, como fez o apóstolo.

Outro que participou dos sofrimentos de Cristo foi o apóstolo Pedro. Ele experimentou esta tremenda bênção; por isso, exortou os irmãos em sua primeira carta. I Pedro 4:13 – “pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando”. Para Pedro, participar do sofrimento de Cristo é a garantia de total alegria na vinda de Cristo. Que visão estupenda! É possível estar pronto e cheio de alegria à espera da volta de Cristo. O segredo está no participar do sofrimento de Cristo enquanto caminha em direção à glória celestial. Que conselho magnífico!

Temos muitas noções erradas a respeito do verdadeiro cristianismo. Logo achamos que sofrimento é coisa ruim e fugimos dela. Mas os apóstolos falam deste sofrimento com alegre convicção. Eles encaram o participar dos sofrimentos de Cristo com prazer e satisfação.

O apóstolo Paulo escreveu: Estou crucificado com Cristo. Foi desta maneira que ele testificou sua participação nos sofrimentos de Cristo. Estas palavras contém vida, poder e bênçãos abundantes. Estas palavras do apóstolo estavam cheias de vida e convicção; por isso, ele prossegue dizendo: “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Aqui vemos a união entre o apóstolo e Cristo. Essa foi a grande satisfação do apóstolo e pode ser a nossa também. Ser um com Cristo é a maior maravilha que podemos experimentar.

Estar crucificado com Cristo é estar conformado com os seus sofrimentos. Essa conformação com Cristo nos livra do poder do pecado e nos traz plena libertação. É vivendo diariamente na cruz que se mortifica os feitos do corpo (Romanos 8:13). É desta maneira que temos vida espiritual abundante. É assim que a militante carne é vencida em nossa caminhada espiritual. É vivendo crucificado que experimentamos o poder da sua ressurreição.

O regenerado crescerá a partir de uma permanência no Cristo crucificado. A vida de cruz produzirá crescimento ao nascido de novo.

Romanos 6:5 traz uma tremenda expressão, uma verdade incrível: “fomos unidos com ele na semelhança de sua morte”. Fomos unidos, fomos amalgamados, fomos incluídos, fomos batizados, fomos imersos em sua morte. Isto é permanecer no Cristo crucificado.

O Livro de Romanos fala que fomos “enxertados” na Boa Oliveira, que é Cristo. Um ramo para ser enxertado, primeiro é preciso ser “cortado” da velha oliveira brava. Esse corte é a nossa inclusão na cruz; somente a cruz pode produzir este corte, esta interrupção que nos ligava à velha natureza Adâmica. Sem cruz o velho homem continua em nós e nós permanecemos na velha vida.

Quando somos enxertados em Cristo, incluídos Nele, passamos a beber Dele. A seiva da vida procede tão somente de Cristo, a Oliveira Verdadeira, segundo o Livro de Romanos 14:24. Cristo também é a Videira Verdadeira, segundo João 15:1. Ele diz também que somos seus ramos.

Quando somos crucificados com Cristo, passamos a fazer parte Dele como os ramos fazem parte da videira. A Videira Verdadeira, para poder nos receber em Si, também precisou passar pelo “corte da cruz”. Só a cruz pode possibilitar este enxerto que produz vida em nós.

Participar dos sofrimentos de Cristo é permanecer no próprio Cristo crucificado, na videira verdadeira. O Senhor quer que permaneçamos Nele, que continuemos tomando nossa cruz a fim de que produzamos frutos como seus ramos. João 15:5 – “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”.

O ramo enxertado é aquele que participou da cruz de Cristo. Somente este pode também participar de sua ressurreição. Romanos 6:5 – “Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição”. É assim que nos tornamos participantes da raiz e da seiva da oliveira (Romanos 11:17). Devemos permanecer exatamente onde a videira foi ferida e aberta, o mesmo lugar onde fomos enxertados: a cruz. Por isso o Senhor disse para permanecer Nele.

É nesta ferida, sim, na cruz, que a nossa união com Cristo se deu. Foi por meio da cruz que começamos a beber de Cristo. Permanecer na cruz de Cristo é permanecer bebendo de Cristo, é continuar recebendo Sua vida, é continuar crescendo em Cristo.

O regenerado que permanece em Cristo continua crescendo para a salvação eterna, continua bebendo de Cristo, continua sendo transformado à imagem de Cristo. A vida do regenerado é transformada de glória em glória à imagem de Cristo. O crucificado cada dia mais se parece com Cristo. Não há bênção maior, não há privilégio maior do que permanecer na cruz de Cristo. Isto é crescimento para a salvação.

Uma das maravilhas da regeneração é que somos arrancados da velha criação. Somos feitos uma nova criatura e as coisas antigas ficam para trás. Não mais vivemos de conformidade com a velha vida. Nosso viver diário é totalmente diferente da vida que vivíamos antes do novo nascimento. Por isso Efésios 4:22-24 diz; “no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento; e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade”.

Quando somos crucificados com Cristo, somos arrancados da velha criação, somos desarraigados deste mundo perverso. O que era antes já não é mais para aquele que foi conformado com a sua morte na cruz. No final de Filipenses 3:9 o apóstolo fala de sua conformação com Cristo em sua morte. É o mesmo que dizer: Estou crucificado com Cristo.

Na experiência da cruz algo tremendo acontece. Pela cruz, nós e Cristo são feridos, descascados, abertos, cortados para que nos encaixemos um no outro. Só a cruz promove este encaixe. Houve, na cruz, uma conformação, uma formação juntos, um preparo para que um se encaixe no outro. Houve uma comunhão de sofrimento. Cristo e nós sofremos na cruz. Nesta comunhão, os sofrimentos de Cristo tornam-se nossos também. Cristo escolheu e suportou a cruz; assim também nós devemos fazer. Ao aceitar a cruz, devemos nos entregar totalmente à Deus como Cristo fez.

O Senhor Jesus consentiu em entregar-se à morte devido ao nosso pecado. Assim também é a cruz para nós. É a total entrega de nós mesmos para morrermos para o pecado. Por isso Romanos 6:6 diz: “sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos”.

Na cruz Cristo morreu, na cruz morremos também para nós mesmos. O morto não tem mais direitos e nem predileções. Não tem reações e nem ações por si mesmo. Vida de cruz é: não mais eu, mas Cristo.

Conformar com Cristo em sua morte significa que agora não mais vivemos por nós mesmos, ao nosso bel prazer. Significa que agora só vivemos pela vida de Cristo em nós.

Que maravilha tudo isto! A velha vida era cheia de defeitos, impurezas, egoísmo total, maldades, enganos, mentiras. Como ser feliz sendo uma velha criatura? A ação da cruz nos leva a despojar os feitos da velha vida como o apóstolo Pedro nos exorta em 2:1 – “Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências”.

A nova criatura é bem melhor do que a velha. Jamais pensamos em voltar à velha vida depravada. Por isso, participamos dos sofrimentos de Cristo a cada dia. Dia após dia negamos a nós mesmos e tomamos nossa cruz; sempre seguindo à Cristo, não mais à nossa própria vontade.

Quanto mais nos conformarmos com o Seu sofrimento, quanto mais vivemos vida de cruz, mais nos encaixaremos aos sofrimentos de Cristo, mais nos ajustaremos à Ele. Quando isso acontece, mais crescemos, mais sadios nos tornamos, mais depressa somos transformados à Sua semelhança.

Que bênção é poder nos conformar com os seus sofrimentos. Assim como a cruz nos levou à Cristo, assim também o conformar com os seus sofrimentos, o levar a cruz nos fará mais parecidos com Cristo. Isso é tudo de bom!

Nestes dias fui pagar o aluguel do salão. Assim que entreguei o envelope, a irmã crente, sorrindo disso: “ôpa, a bênção chegou!” Eu nem respondi, só dei um sorriso amarelo. Mas tive tanta vontade de dizer: irmã, isto não é bênção, é simplesmente dinheiro. Bênção é a cada dia conformar com o sofrimento de Cristo.

Conformar com os sofrimentos de Cristo é permanecer no Senhor Jesus Cristo, o crucificado. Quando caminhamos desta maneira, entendemos que a cruz não é apenas a expiação da nossa culpa pelos nossos pecados, mas também a bênção de poder ser transformado cada dia mais à semelhança de Cristo. Entendemos que a cruz não foi só Cristo se fazendo maldição em nosso lugar, como também, Cristo nos trazendo para a bênção do Pai. Cruz é o lugar onde Deus preparou para nos unirmos à Cristo em sua morte e ressurreição. É o lugar onde Deus preparou para que permaneçamos em Cristo. É o lugar onde, por não haver mais a maldição do pecado, agora há a bênção da vida abundante.

Cruz é o lugar de comunhão dos sofrimentos de Cristo, é o conformar-se com Ele em sua morte.

Não há bênção maior para o regenerado. Aprendamos a nos regozijar na comunhão dos seus sofrimentos; nós que já nos conformamos com Ele em sua morte.

Que alegria poder receber a revelação da bênção na comunhão dos sofrimentos de Cristo. Isto traz um ânimo incrível ao coração do peregrino.

Que honra poder ser unido à Cristo, que honra poder saber que é pela cruz que reinaremos com Ele.

II Timóteo 2:11 – “Fiel é esta palavra: Se já morremos com ele, também viveremos com ele; se perseverarmos, também com ele reinaremos; se o negarmos, ele, por sua vez, nos negará”.

Não há objetivo maior, alegria maior do que o participarmos de seus sofrimentos.

TOMAR A CRUZ É BÊNÇÃO!

 

Pr. Mario Tsuyoshi Yamakami

Comunidade Bíblica Regenerada   –   Cristo vive em nós

Maringá, 04 de Outubro de 2016.

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