A BÊNÇÃO DA COMUNHÃO DA CRUZ – Parte 02

cruz cristoPor longos anos eu invejei os mártires, os profetas, os apóstolo e os santos do passado pela vida de piedade e sofrimento por causa do nome de Cristo. Apesar de não desejar sofrimento algum nesta vida, o testemunho deles me deixava cheio de admiração. Havia um misto de sentimento em meu coração. Entendia que era privilégio sofrer por Cristo; porém, não queria passar pelo sofrimento que eles passaram.

Esta era uma das muitas dúvidas em minha caminhada cristã. Ao ler a Bíblia, eu encontrava alegria naqueles que passavam por tribulações pelo nome de Cristo e ao mesmo tempo, eu não desejava tal coisa para mim. Elas me atraíam, pois a Bíblia diz que é motivo de “grande alegria”, mas minha alma dava um passo para trás e logo a minha razão dizia: eu não quero sofrimento.

Minha vida cristã era dividida, não era esclarecida, havia temores e dúvidas. Mas também, admirava aqueles que sofreram por Cristo, pois não via neles nenhuma tristeza ou murmuração. Pensava comigo, deve ser ruim mas deve ser bom também.

Algumas passagens que me intrigavam: Mateus 5:10-12 – Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de nós”.

Atos 5:40-41 – “Chamando os apóstolos, açoitaram-nos e, ordenando-lhes que não falassem em o nome de Jesus, os soltaram. E eles se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome”.

Atos 16:23-25 – “E, depois de lhes darem muitos açoites, os lançaram no cárcere, ordenando ao carcereiro que os guardasse com toda a segurança. Este, recebendo tal ordem, levou-os para o cárcere interior e lhes prendeu os pés no tronco. Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam”.

II Coríntios 12:10 – Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte”.

Isaías 53:10-11 diz que Deus se agradou em moer o Senhor Jesus e que o próprio Senhor Jesus ficou satisfeito com o seu penoso trabalho que justificou a muitos. Há algo no sofrimento em prol da vida e salvação dos pecadores que agrada o Pai. Há alegria no sofrimento; há uma maneira nova e diferente de encarar o sofrimento permitido pelo Pai para que testemunhemos com alegria do Senhor. Há algo de bom naquilo que até então, víamos como algo ruim.

Tiago 1:2-3 – “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança”.

I Pedro 1:6 – Nisto exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações”.

I Pedro 4:12-14 – “Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando”.

II Coríntios 4:17 – “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação”.

Amados irmãos, percebem como há alegria na tribulação? Há uma alegria que o mundo não conhece e nem pode nos dar. A riqueza, a saúde, a prosperidade financeira, os amigos; nada e ninguém pode nos dar essa alegria que a Bíblia fala. Sabemos, no entanto, que ela se encontra na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Se tomar a cruz fosse algo ruim, creio que o amoroso Salvador jamais teria dito para tomarmos nossa cruz.

Santos homens do passado tiveram a graça de experimentar essa tremenda alegria. Tremenda porque ao ver as palavras do Senhor Jesus: “regozijai-vos e exultai”; só posso concluir que nenhum churrasco se equipara a esta alegria.

O apóstolo fala para nos alegrarmos no Senhor sempre (Filipenses 4:4). O caminho para desfrutarmos desta alegria está na cruz onde temos comunhão nos Seus sofrimentos.

O único lugar onde vemos essa fusão é na cruz. A cruz é o ponto de encontro entre o pecador e o Salvador. O pecador perdido só tem alegria verdadeira se passar por este encontro com o maravilhoso Cristo crucificado. Essa alegria é contínua, não foi apenas no primeiro encontro na cruz. Temos que entender que a cruz é diária; por isso, a nossa alegria é incessante. “Regozijai-vos sempre”, diz I Tessalonicenses 5:16.

A verdadeira vida e alegria do homem veio através da morte de Cristo. A manifestação da vida do Cristo ressurreto no regenerado depende continuamente do encontro do regenerado com Cristo na cruz. Este encontro deve ser diário, ininterrupto. A cruz é parte integrante e incessante do verdadeiro cristão alegre. A cruz é uma moeda de duas faces; nela vemos a morte do ego e a vida de Jesus se manifestando em nós.

Toda a graça que o regenerado recebe só pode advir por meio da comunhão no sofrimento do Cristo crucificado.

Cristo tomou o nosso lugar na cruz e Ele o fez espontaneamente por amor à nós. Mas não devemos nos esquecer que aquele lugar era nosso; ainda continua reservado à nós. Agora, devemos tomar o nosso lugar na cruz com Cristo.

Cristo foi buscar-nos exatamente na cruz e é exatamente lá que nós participamos de seu sofrimento. Cruz é lugar de comunhão no sofrimento de Cristo.

Quando Ele nos encontrou lá pela primeira vez, a cruz era um lugar de maldição; pois todo aquele que fosse pendurado no madeiro era considerado um maldito. Ali na cruz, o Santo tomou nossa maldição para que pudesse nos trazer para a Sua bênção. Agora, a cruz é para nós um lugar de bênção, graças ao Senhor Jesus que levou nossas maldições na cruz. Gálatas 3:13 – “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro)”.

Poucos sabem que a cruz continua sendo o lugar de morte do velho homem; um lugar onde a maldição é transformada em bênção. Foi na cruz que Ele tomou a nossa maldição e a nossa morte para sempre. A partir da cruz nossa nova vida abençoada começa.

Sem a cruz a maldição seria perpétua. O Senhor nos atraiu e nos incluiu Nele, na cruz, a fim de nos livrar da causa primeira da maldição que é o nosso pecado. Não só nos tirou do poder do pecado como deu-se a si mesmo à nós para se tornar nossa vida abundante (João 10:10). A cruz é o lugar de recebermos vida e vida em abundância.

Quando Cristo foi levantado na cruz, Ele, por amor, levou nossa maldição e morte proveniente dos nossos pecados. Mas agora, quando Ele nos manda tomar a cruz, é para que provemos a vida e a bênção que Dele emana.

Assim como o meu pecado e a minha maldição apontou para a cruz de Cristo; assim também Sua bênção e vida abundante apontam para a cruz. Portanto, somente na cruz posso receber bênção e vida abundante quando me uno à Ele na cruz.

Cristo tomou a minha cruz para ser a sua e, devemos nós também, tomar a sua cruz para ser a nossa. É preciso ser crucificado com Ele. É permanecendo no Cristo crucificado que desfruto da alegria no sofrimento como os apóstolos e santos experimentaram. O segredo de tamanha alegria dos homens de Deus estava na comunhão com Cristo na cruz.

A nossa participação na cruz não foi somente naquele dia quando fomos atraídos e incluídos em Sua morte. A cruz permanece nossa, dia após dia, ininterruptamente. Ela é nossa, nela temos o Cristo crucificado e ressurreto. O cristão não deve apenas ser um contemplador da cruz; deve, acima de tudo, ser um participante de seus sofrimentos na cruz.

A cruz foi a perda de sua própria vida, a morte para os seus desejos carnais, foi a total rendição ao Pai, foi a perfeita separação do mundo. A cruz é tudo isso também para nós hoje a fim de que sejamos um com Ele para sempre. A cruz existe para que sejamos crucificados com Cristo, para que permaneçamos no Cristo crucificado.

O cristão só pode desenvolver e continuar vivo se permanecer na cruz, pois nela o sangue que perdoa e justifica está presente, a morte que traz a vida de Cristo se manifesta. A cruz é eficaz para operar a morte do ego e o amor pelo mundo.

A bênção e a alegria da cruz não consiste apenas no fato de que nossos pecados, maldições e morte foram levados; mas, também, pelo fato de que, exatamente ali, continuamos bebendo da vida, alegria e bênção no Cristo vivo.

Venha para a cruz e verá que todas as suas fontes estão lá, sim, estão no Senhor crucificado. Você mesmo verá que Dele emana vida e luz.

A CRUZ É UMA BÊNÇÃO!

Pr. Mario Tsuyoshi Yamakami

Comunidade Bíblica Regenerada   –   Cristo vive em nós

Maringá, 23 de Outubro de 2016.

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