A VELHA E A NOVA CRUZ

cruz2A.W.Tozer

Estudo – 1

“Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema” – Gálatas 1:6-9

Sem fazer-se anunciar e quase despercebida, uma nova cruz introduziu-se nos círculos evangélicos nos tempos modernos. Ela se parece com a velha cruz, mas é diferente; as semelhanças são superficiais; as diferenças, fundamentais.

II Pedro 2:1 – “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição”. O apóstolo João escreveu que: “muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (I João 4:1fine).

Olha o que o apóstolo Judas escreve: “Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo” (v.4).

Uma velha filosofia brotou desta “nova cruz” com respeito à vida cristã, e desta nova filosofia surgiu uma nova técnica evangélica – um novo tipo de reunião e uma nova espécie de pregação. Este novo evangelismo emprega a mesma linguagem que o velho, mas o seu conteúdo não é o mesmo e sua ênfase difere da anterior. Ela parece, mas não é! É falsificada!

A velha cruz não fazia aliança com o mundo. Ela veio para acabar com o sistema satânico e mundano. Ela vê o mundo como inimigo de Deus e dos filhos da luz. A velha e verdadeira cruz não anda de mãos dadas com mundo de jeito nenhum. O mundo a odeia e em seu lugar, apresenta uma cruz florida, agradável, aceitável, que não mata.

Para a carne orgulhosa de Adão, a velha e verdadeira cruz significa o fim da jornada. A velha cruz não faz conchavo com a carne e seus apetites desordenados. Gálatas 5:24 – “E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências”. Imagina quantos crimes passionais teriam sido evitados se as pessoas tivessem conhecido a verdadeira cruz.

A nova cruz não se opõe à raça humana; pelo contrário, é sua amiga íntima e, se compreendermos bem, considere-a uma fonte de divertimento e entretenimento inocente. Os religiosos preferem a nova cruz porque ela é amigável e, detestam a velha, porque é dura e rude. Eles ficam irritados com pregadores da velha cruz.

Segundo os religiosos, nada deve ofende-los de forma alguma. Eles querem o Deus de amor, não de justiça. Suas pregações são doces, agradáveis e cheias de elogios aos homens. Neste ano, quando preguei a cruz aos pastores da cidade, ouvi murmúrios que diziam: “que pregação dura e pesada”. Realmente a palavra da cruz não agrada aos religiosos. É loucura para eles.

A nova cruz deixa Adão viver sem qualquer interferência. Sua motivação na vida não se modifica; ela continua vivendo para o seu próprio prazer, só que agora se deleita em entoar coros e a assistir filmes religiosos em lugar de cantar canções obscenas e tomar bebidas fortes. A nova e falsa cruz propõe um estilo de vida religioso sem profundas mudanças e transformações. Basta um pouco de maquiagem. Para a nova e falsa cruz, o comportamento deve ser a de um crente; porém, o coração pode ser a de um ímpio.

A ênfase continua é o prazer, embora a diversão se situe agora num plano moral mais elevado, caso não o seja intelectualmente. As igrejas evangélicas tornaram-se um lugar de entretenimento. Os pastores de sucesso são os que conseguem cativar a plateia, como o Silvio Santos fazia na Bandeirantes. Aqueles que conseguem emocionar e divertir a plateia são os que estão na crista da onda. Os pastores procuram estudar métodos de comunicação e persuasão. A Bíblia e Cristo tornaram-se obsoletos. Este é o espírito da nova cruz.

A nova cruz encoraja uma abordagem evangelística nova e por completo diferente da velha cruz. O evangelista não exige a renúncia da velha vida antes que a nova possa ser recebida. Ele não prega contrastes, mas semelhanças. Busca a chave para o interesse do público, mostrando que o cristianismo não faz exigências desagradáveis; mas pelo contrário, oferece a mesma coisa que o mundo, somente num plano superior. A nova cruz é amena, é fácil, é delicada. Diferente da velha que exige a morte do ego, a rendição completa, a mudança radical de vida.

Na nova cruz existe concessões para a impureza sexual antes do casamento, para o divórcio, para a mentira, a traição, o roubo, a falta de temor, falta de integridade e santidade. Um pecadinho não tem problema algum para os que pregam a nova cruz. Se é para o bem dos membros ou da sociedade, então tudo é permitido e aceito. O importante é que cada um seja feliz. Para eles, o homossexualismo é visto com simpatia e aceita de forma livre e natural tamanho pecado diante de Deus. Fazem vista grossa diante da Palavra de Deus.

O que quer que o mundo pecador esteja idolatrando no momento, é mostrado como sendo exatamente aquilo que o evangelho oferece, não o que a velha cruz é. A nova cruz anda de mãos dadas com o mundo. Se o mundo aceita o homossexualismo, então ela aceita também. O mundo é o carro chefe, por isso, a igreja se parece tanto com o mundo.

Os crentes já não são mais respeitados e admirados pelos do mundo. Diferentemente de quando o cristianismo começou. Atos 2:47 diz que a comunidade cristã “contava com a simpatia de todo o povo”. Hoje, os crentes se parecem com o sal insípido. Mateus 5:13 – “Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens”.

A nova cruz não mata o pecador, mas dá-lhe nova direção. Ela o faz engrenar em um modo de vida mais limpo e agradável, resguardando o seu respeito próprio. Para o arrogante ela diz: “Venha e mostre-se arrogante a favor de Cristo”; e declara ao egoísta: “venha e vanglorie-se no Senhor”. A nova cruz apenas tenta mudar a conduta externa do crente. São doutrinas e regras, tipo não usar calça comprida ou cabelo curto para as mulheres. A ênfase deles é o exterior e não o novo coração. Se todos tiverem um bom comportamento diante da igreja e vestirem um belo uniforme, isso é o máximo. Certamente as palavras do Senhor aos fariseus se encaixariam bem: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniquidade” (Mateus 23:27-28).

 

Estudo – 2

Para o que busca emoções, chama: “Venha e goze da emoção da fraternidade cristã”. A mensagem de Cristo é manipulada na direção da moda corrente a fim de torna-la aceitável ao público.

A filosofia por trás disso pode ser sincera, mas na sua sinceridade não impede que seja falsa. É falsa por ser cega, interpretando erradamente todo o significado da cruz.

A velha cruz é um símbolo da morte. Ela representa o fim repentino e violento do velho homem em nós. O homem, na época romana, que tomou a sua cruz e seguiu pela estrada já se despedira de seus amigos. Ele não mais voltaria, estava indo para o seu fim.

A cruz não fazia acordos, não modificava e nem poupava nada; ela acabava completamente com o homem, de uma vez por todas. Não tentava manter bons termos com sua vítima. Golpeava-a cruel e duramente e quando terminava seu trabalho, o homem já não existia.

Tozer não se refere à tortura e morte física do pecador. Ele apenas faz um paralelo entre o que a cruz romana fez com Cristo e o que a cruz de Cristo faz em relação ao nosso velho homem.

A raça de Adão está sob sentença de morte. Não existe comutação de pena e nem fuga. Deus não pode aprovar qualquer dos frutos do pecado, por mais inocentes ou belos que pareçam aos olhos humanos. Deus resgata o indivíduo, liquidando-o e depois ressuscitando-o em novidade de vida.

O evangelismo que traça paralelos amigáveis entre os caminhos de Deus e os do homem é falso em relação à Bíblia e cruel para a alma de seus ouvintes. Mateus 16:23 – “Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens”.

A nova cruz quer que Deus se adapte ao homem, que Deus se enquadre nos caminhos do homem. Vive orando e pedindo para Deus os acompanhar, Deus os abençoar, Deus dar a vitória. Ela não é capaz de ver que o pecador é que precisa se encaixar no caminho de Deus. Deus é imutável; nós é que precisamos ser convertidos à Ele e para Ele a fim de sermos salvos.

A fé manifestada por Cristo não tem paralelo humano, ela divide o mundo. Ao nos aproximarmos de Cristo, não elevamos nossa vida a um plano mais alto mas a deixamos na cruz. A semente de trigo deve cair no solo e morrer. A nova cruz que os evangélicos abraçaram deseja elevar o homem às alturas. Faz do homem um ungido especial, capaz de qualquer coisa, até mesmo de decretar aquilo que nem Deus decretou.

A velha cruz apenas diz que é preciso morrer com Cristo. As Escrituras estão cheias de passagens que falam da nossa morte com Cristo. Ele próprio deu exemplo quando disse sobre o grão de trigo. João 12:24 – “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto”.

Nós, o que pregamos o evangelho, não devemos julgar-nos agentes ou relações públicas enviadas para estabelecer a política da boa vizinhança entre Cristo e o mundo. Não devemos imaginar que fomos comissionados para tornar Cristo aceitável aos homens de negócio, à imprensa, ao mundo dos esportes ou à educação moderna. Não somos diplomatas, mas profetas e nossa mensagem não é um acordo, mas um ultimato.

Deus oferece vida, embora não se trate de um aperfeiçoamento da velha vida. A vida por Ele oferecida é um resultado da morte na cruz. Ela permanece sempre do outro lado da cruz. Quem quiser possuí-la deve passar pela cruz. É preciso que negue a si mesmo e creia na inclusão na morte e ressurreição com Cristo.

O que isto significa para o homem condenado que quer encontrar vida em Cristo Jesus? Como esta teologia pode ser traduzida em termos de vida? É muito simples, ele deve arrepender-se e crer.

Deve morrer para os seus pecados e depois morrer para si mesmo. Ele não deve encobrir nada, defender nada. Não deve procurar fazer acordos com Deus, mas inclinar a cabeça diante do golpe do desagrado severo de Deus e reconhecer que merece a morte.

Feito isto, ele deve contemplar com sincera confiança o Salvador ressurreto e receber Dele vida, novo nascimento, purificação e poder. A cruz que terminou a vida terrena de Jesus; põe agora um fim no pecador; e o poder que levantou Cristo dentre os mortos, agora o levanta para uma nova vida em Cristo. Isto é o novo nascimento!

Para quem quer que deseje fazer objeções a este conceito ou considera-lo apenas como um aspecto estreito e particular da verdade, quero afirmar que Deus colocou o seu selo de aprovação sobre esta mensagem desde os dias de Paulo até hoje. Quer declarado ou não, a velha cruz foi o conteúdo de toda pregação que trouxe vida e poder ao mundo através dos séculos.

I Coríntios 1:18 – “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus”.

I Coríntios 2:2 – “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado”.

Os místicos, os reformadores, os revivalistas, colocaram aí a sua ênfase, e sinais, prodígios e poderosas operações do Espírito Santo deram testemunho da operação divina.

Ousaremos nós, os herdeiros de tal legado de poder, manipular a verdade? Ousaremos nós, com nossos lápis, apagar as linhas do desenho e alterar o padrão que nos foi dado nas Escrituras? Que Deus não permita!

Vamos pregar a velha cruz e conhecermos o velho poder.

A velha e a verdadeira cruz é o poder de Deus para a nossa salvação.

 

Pr. Mario Tsuyoshi Yamakami

Comunidade Bíblica Regenerada   –   Cristo vive em nós

Maringá, 12 de novembro de 2016.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s