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PERMANECER NA CRUZ

cruzO Senhor não desceu da cruz! Mesmo diante dos impropérios, Ele permaneceu firme até o fim. Jamais cogitou em deixar a cruz, jamais intentou descer dela. Muitos queriam vê-lo fora da cruz; no entanto, Ele permaneceu na cruz. Isto foi vital, crucial, determinante para nós. Fez toda a diferença para a humanidade perdida. Deixar a cruz é a mais desastrosa decisão de um crucificado com Cristo.

Mateus 27:42 – “Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. É rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nele”. Esta é a grande tentação do Maligno contra os filhos de Deus também. Essa é a tacada decisiva do Diabo. Se ele conseguir, terá toda a vantagem para arrastar o crente ao inferno.

Na cruz, o Senhor tirou o poder que o diabo tinha sobre a morte. Ali o diabo foi derrotado. Colossenses 2:14-15 – “tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”.

Deixar a cruz é a derradeira derrota do cristão. Cuidado, pois a cilada é sutil, é quase imperceptível. Os negócios, a correria, o cansaço, o entretenimento podem distrair, sufocar e afastar o cristão da cruz de Cristo. É preciso ter a consciência que se deve tomar a cruz dia após dia. A vida de cruz é diária e constante.

Antes da cruz, o Senhor repetiu várias vezes que “era necessário” ir à cruz. Aquele que tem a convicção da obra da cruz, jamais pensa em desistir dela. Está muito consciente da sua crucial “necessidade” em sua vida. Aquele que recebeu a visão da necessidade da cruz, jamais pensa em abandoná-la.

Um crucificado com Cristo sequer intenta descer dela. Pelo contrário, ao permanecer firme na cruz, ele simplesmente se gloria nela. Gálatas 6:14 – “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo”.

Esta é a experiência do verdadeiro crucificado com Cristo. O apóstolo experimentou a glória da cruz; por isso, permaneceu nela até o fim. Sua vida e pregação girava em torno da cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.

Gálatas 2:19 – “Estou crucificado com Cristo”.  I Coríntios 2:2 – “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado”.

O que leva um homem a seguir os passos do Crucificado? Por que um homem tão bem formado como o apóstolo apostou tudo na cruz de Cristo? Afinal, o que ele encontrou nela?

Na cruz, o apóstolo encontrou o seu tudo, encontrou o seu Senhor. Ele O seguia, O servia e O imitava. O Cristo da cruz tornou-se tão precioso que Paulo trocou tudo para ganha-Lo. Podemos vê-lo transbordante da vida de Cristo. Ele vivia Cristo, só falava de Cristo. Ele creu e amou seu Senhor de todo o coração.

Paulo era um imitador de Cristo, tamanha sua paixão por Ele. I Coríntios 11:1 – “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo”. O apóstolo encontrou tudo em Cristo e, animadamente, nos chama para desfrutarmos da riqueza de Cristo.

Para Paulo, seguir e imitar Cristo era a coisa mais fascinante da vida. Cristo era a fonte de sua alegria e vida abundante. Que homem feliz foi Paulo. Em Cristo, encontrou o sentido da vida.

Paulo encontrou o Caminho (Jesus) no caminho para Damasco (Atos 9:1-5). Tudo mudou para ele de modo que Jesus tornou-se o seu Senhor absoluto. Antes perseguia os de Cristo, agora, por amor a Cristo, servia-os.

O que leva um homem a tomar uma decisão tão radical? O que pode levar uma pessoa a abandonar tudo para seguir este Caminho? Porque ele trocou tudo por Cristo? (Filipenses 3:7-8) Porque o apóstolo Paulo estava pronto para morrer por Cristo?

Atos 21:13 – “Então, ele respondeu: Que fazeis chorando e quebrantando-me o coração? Pois estou pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus”.

Por que um crucificado com Cristo é tão resoluto? Por que não o vemos amedrontado com nada, com ninguém? Nem mesmo prisões, privações, perseguições e morte o assustavam. Afinal, que tipo de vida é essa? É a vida crucificada; é a vida que permanecer na cruz, permanece em Cristo. Nesta vida, Cristo revolucionou e radicalizou o apóstolo.

O apóstolo jamais deixou a cruz de Cristo. Como seu Mestre e Senhor, jamais desceu da cruz. Ali ele encontrou o sentido da vida; encontrou a própria Vida. Ali ele foi amalgamado à Jesus para sempre. Pela cruz, ele ganhou Cristo.

Cristo foi a razão de seu constante regozijo. Filipenses 2:18 – “Assim, vós também, pela mesma razão, alegrai-vos e congratulai-vos comigo”. Mesmo em uma prisão, este era o espírito do apóstolo, sempre alegre em Cristo.

O crucificado tem Cristo e quem tem Cristo, tem alegria e regozijo sempre. Filipenses 4:4 – “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos”. Por isso, exortava a igreja a regozijar sempre no Senhor. I Tessalonicenses 5:16 – “Regozijai-vos sempre”.

Na cruz, o apóstolo morreu para si mesmo. Houve um fim da sua vida da alma e, ao mesmo tempo, recebeu a verdadeira Vida (Jesus). Essa foi a maior troca do apóstolo. Ele perdeu sua velha e infeliz vida e ganhou a maravilhosa vida do Senhor Ressurreto.

Foi pela cruz que o apóstolo viu sua vida ser transformada, finalmente encontrou o sentido da vida. Nesta caminhada, conheceu e recebeu a graciosa provisão e direção de Deus para a sua vida. Agora ele sabia porque nasceu, finalmente soube a razão de sua vida.

Antes era um louco perseguidor da igreja, um blasfemo, mas Cristo trouxe sentido à sua vida, de modo que, o apóstolo testemunhou dizendo: “Porquanto, para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Filipenses 1:21).

Uma pessoa que encontrou Cristo através da sua inclusão na morte e ressurreição com Cristo está totalmente satisfeita. Essa pessoa pode testemunhar com alegria dizendo: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”.

Creio que somente os mais felizes e realizados podem dizer isto. Não há sentido para a vida fora da cruz de Cristo. Não há satisfação para um mortal sem estar crucificado com Cristo.

Ninguém terá condições de testemunhar na igreja sem estar crucificado com Ele. O que permanece na cruz naturalmente torna-se uma testemunha viva de Cristo. O bom perfume de Cristo é exalado através dele.

Fora da cruz de Cristo nada funciona, nada tem sentido. Permanecer na cruz é viver o evangelho; fora dela é ser um religioso hipócrita e cego. Só a cruz possibilita a manifestação de Cristo em nós. Sem essa vida de Cristo, o cristianismo não passa de uma religião falsa e sem vida.

Há muitas razões para se gloriar na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Nela fomos libertos do poder do pecado, fomos desarraigados deste mundo perverso, morremos para a velha vida, recebemos a vida de Cristo e muito mais.

O sangue da cruz foi o pagamento do nosso resgate. Nela nossa dívida foi cancelada. Nela fomos justificados diante de Deus. Tremendas bênçãos são encontradas na cruz; então, por que deixa-la? Não há vantagens; pelo contrário, apenas perda total. Portanto, vamos permanecer nela até o fim.

Acima de tudo, pela cruz ganhamos a vida de Cristo. Fomos enxertados Nele, a Boa Oliveira (Romanos 11:17). Recebemos vida quando estávamos mortos em nossos delitos e pecados (Efésios 2:1).

Quando, em Cristo, Deus nos fez uma nova criatura, tudo mudou. Fomos justificados, reconciliados, santificados e salvos da morte e do inferno. Recebemos paz e alegria, vida abundante e vida eterna. Uma nova vida começou em nós. Totalmente diferente da velha e triste vida.

Tudo foi pela cruz de Cristo. Se na cruz ocorreu todas estas maravilhas, então, por que deixa-la? Temos mais é que permanecer firmes.

Fomos tirados da cegueira, opressão e engano da religião. Conhecemos o Evangelho da graça de Deus. Cristo nos libertou do império das trevas e nos transportou para o Seu Reino.

Ganhamos a cidadania cristã e celestial; deixamos para trás este mundo tenebroso. Olha quantas bênçãos provém da cruz.

Fomos colocados na linhagem da bênção de Abraão por meio de Cristo (Gálatas 3:14); e agora, como noiva, aguardamos com alegria, as bodas da ceia do Cordeiro. Em breve, receberemos a coroa da vida, como disse o apóstolo (II Timóteo 4:8).

Mediante estas e muitas outras preciosidades que o apóstolo menciona em suas cartas, é plenamente compreensível a decisão de permanecer na cruz até o fim.

Aquele que experimentou todas estas bênçãos pela cruz pensaria em descer dela? Jamais! Permanecer na cruz é seu regozijo constante, é seu desejo ardente; até a vinda do Amado.

O Senhor Jesus não desceu da cruz somente para nos proporcionar estas inúmeras e maravilhosas bênçãos. Ele permaneceu na cruz para nos reconciliar com Deus e nos fazer membros de Sua família.

Permanecer na cruz é permanecer no Cristo glorificado. Somente aqueles que não amam o Senhor e não querem o céu é que deixam a cruz. Desistir da cruz é desistir da própria vida; é desistir do próprio Cristo.

O Senhor tinha plena convicção dos benefícios da cruz para cada um de nós; por isso, permaneceu na cruz até a morte. O apóstolo Paulo viveu a glória da cruz e relatou estas tremendas bênçãos. Ele nos chama para imitarmos o Crucificado que permaneceu na cruz.

A cruz é o lugar seguro, é a certeza que o fulgor e a glória do Rei serão vistos em breve. Permanecer na cruz é permanecer em Cristo, o Caminho para o Pai. Permanecer na cruz é desfrutar da vida em abundância.

PERMANECER NA CRUZ É A GARANTIA DO CÉU

 DESCER DA CRUZ? JAMAIS!

Pr. Mario Tsuyoshi Yamakami

Comunidade Bíblica Regenerada   –   Cristo vive em nós

Maringá, 08 de Junho de 2017.

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HEBREUS 11 – ESTUDO XLIV

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Gênesis 21:8-9 – “Isaque cresceu e foi desmamado. Nesse dia em que o menino foi desmamado, deu Abraão um grande banquete. Vendo Sara que o filho de Agar, a egípcia, o qual ela dera à luz a Abraão, caçoava de Isaque”.

A Bíblia não deixou passar este detalhe. Ismael caçoava de Isaque; perseguia menino, tinha ciúmes, não gostava dele, não queria a presença de Isaque. Tudo ia muito bem antes de Isaque nascer. Agora Ismael perdeu o “trono”, a atenção, a consideração, o amor. Tudo porque este aí (Isaque) veio.

Ismael é fruto do esforço humano, como a religião é. Isaque é fruto da graça de Deus. Ismael é obra da carne e Isaque, do Espírito. Vemos na Bíblia esta história de perseguir e matar se repetindo. Caim, o carnal, perseguindo e matando Abel, o espiritual. A religião perseguindo o Evangelho. A perseguição com o intento de matar. Caim matou Abel por ciúmes.

A religião sempre persegue, sempre procura matar, sempre tem ciúmes. Ela se esforça com o fim de angariar glória somente para si. Enquanto tem o domínio, o controle, a atenção, o afeto, a consideração, fica de boa. Mas quando surge o Evangelho, fruto da graça de Deus, logo desperta ciúmes.

Certamente a religião detesta o Evangelho, se ira, persegue, caçoa, fala mal, destrata o filho da graça. Ismael representa a religião que persegue e caçoa o Evangelho, o fruto da graça.

O apóstolo Paulo entendia muito bem disso. Quando era um fanático religioso, perseguia os cristãos e os matava. Quando, porém, Deus o salvou e o colocou no Evangelho de Seu Filho, ele foi constantemente perseguido e morto pelos religiosos.

Ao ver Ismael caçoando de Isaque, o apóstolo podia entender perfeitamente que a religião sempre persegue o Evangelho. Gálatas 4:29 – “Como, porém, outrora, o que nascera segundo a carne perseguia ao que nasceu segundo o Espírito, assim também agora”.

Pr. Glenio coloca que, “na religião, o homem é o protagonista da ação e Deus é um mero coadjuvante”. A religião escraviza, domina, quer o estrelato, quer ser o centro da atenção. A religião exige reconhecimento e busca aplausos. Certamente a vinda de Isaque ofuscou o primeiro filho de Abraão. Este ficou com ciúmes e perseguiu o filho da graça.

O próprio Senhor foi constantemente perseguido pelos religiosos da época. Foi discriminado e desprezado, como também foram os seus discípulos. O Senhor foi morto pelas mãos dos religiosos cheios de inveja. Mateus 27:18 – “Porque sabia que, por inveja, o tinham entregado”.

A religião sempre perseguiu e matou os filhos da graça. Mas, é interessante notar que, os filhos da graça não perseguem e nem falam mal dos filhos da religião. Não vemos Isaque dando o troco em Ismael. Ele não disse: “bem feito”, quando Ismael estava sendo despedido.

Não encontramos vingança, ameaças ou uma palavra sequer na boca do Senhor e dos seus ao serem injusta e brutalmente perseguidos e mortos pelos da religião. O Evangelho não fala mal dos outros, não persegue, não quer o fracasso e a morte dos que o perseguem.

O Mestre e Senhor nos ensinou quanto a isso o seguinte: Mateus 5:44 – “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”. Mateus 5:10-12 – “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós”.

Não estranhemos, portanto, quando as pessoas que não conhecem a graça de Deus nos perseguem ou falam mal. Os filhos da graça certamente serão perseguidos pelos filhos da religião. Quando um filho da graça é abençoado com uma casa nova, ou um carro novo ou uma roupa nova, os filhos da religião vão reparar e comentar negativamente. Mas os filhos da graça vão se alegrar juntamente com seu irmão diante do Senhor.

Cada vez fica mais fácil distinguir quem é da graça do Senhor e quem é da carne ou da religião. Os da graça não ficam reclamando, acusando, falando mal ou cobrando. Os filhos da religião estão sempre murmurando, olhando para si, se fazendo de abandonadas, esquecidas e vivem cheias de autocomiseração.

Gostei da frase do Glenio quando diz: a religião se cansa, o evangelho descansa. Diz ainda: a religião oprime, comprime, reprime e, finalmente, deprime.

O filho da graça está sempre livre, solto, leve, natural e feliz. O filho da religião está com cara amarrada, olhar duro, anda sempre triste e raivoso. Se isola e não tem comunhão com ninguém. Não é simpático, não é agradável, não é social.

“Religião e evangelho são duas realidades diferentes e incompatíveis em seus procedimentos. A religião, centraliza os esforços humanos, valoriza tudo aquilo que o homem faz para merecer créditos. O Evangelho, concentrado na suficiência da graça de Deus, aprecia somente o que Deus fez por meio de Jesus Cristo”.

Agora dá para entender porque Ismael precisou ser separado de Isaque. Religião e Evangelho são incompatíveis. Certamente os da Religião vão caçoar, perseguir e matar os do Evangelho. A religião é caracterizada pela meritocracia. Ela é regida pelo esforço humano e méritos. Esse sistema fatalmente desprezará a graça de Deus. Ismael caçoava de Isaque movido pela inveja ao ver a graça de Deus em Isaque. Isaque é fruto da graça de Deus, não do mérito de Abraão e Sara.

Quando vivemos na graça de Deus, certamente haverá religiosos nos perseguindo. Será difícil a convivência com os religiosos ciumentos. Nestes últimos anos fui perseguido maldosa e injustamente por uma irmã de sangue, muito religiosa. Eu não entendia a razão desta perseguição barata e sem motivos. Agora sei que a razão consiste no fato de que ela não conhece a graça de Deus. Minha reação agora mudou. Não mais ficar triste e raivoso; mas orar com compaixão pedindo que Deus conceda a Sua graça às pessoas religiosas que nos perseguem.

Glenio diz: “Não é demais enfatizar: O evangelho não persegue. Nunca vi alguém que tenha recebido a revelação plena da graça de Deus que seja perseguidor daqueles que são diferentes ou opostos à sua crença. Não há lugar para a desavença odienta nos membros do reino de Deus. A legítima igreja de Jesus Cristo não propaga a caça às bruxas, uma vez que a mensagem do evangelho sustenta a liberdade pessoal no que concerne à vida espiritual. Só os religiosos gostam de perseguir. Eles ficam amargurados a ponto de zombar, perseguir e matar. Essa postura agressiva e vingativa é própria de quem jamais experimentou a excelência do evangelho, pois um homem liberto pela graça de Deus não se presta aos caprichos mesquinhos do inferno. Na igreja de Deus não há lugar para os promotores da discriminação sufocante da religião. Não há lugar para aqueles que semeiam divisões no Corpo de Cristo.

Jesus nunca revidou com palavras e ameaças contra aqueles que o perseguiram e mataram”. Mais vale ser livre, ainda que perseguido e morto, como o foi o Senhor Jesus do que ser um religioso ciumento e maldoso. O evangélico é sempre alguém livre e franco.

Além de ter sido gerado unicamente pelo poder de Deus, Isaque foi também colocado no altar como um cordeiro, para ser oferecido em holocausto, e, deste modo, tornar-se um esclarecimento aberto da vida que vem depois da morte. Ele tipifica a pessoa de Jesus Cristo e é uma figura do evangelho da graça de Deus, que nos assegura a salvação completa pela vida que brota do túmulo”.

Agora entendo porque a Bíblia coloca que Ismael caçoava de Isaque. Preciso entender que este é um processo natural quando se vive pela graça de Deus. Certamente haverá perseguição e zombaria por parte dos religiosos àqueles que vivem pela graça. Quando isto acontecer, precisamos tão somente orar por eles e jamais revidar com posturas e atitudes de vingança.

Que alegria ser participante da graça do Senhor Jesus. Ainda que seja possível morrermos por causa desta graça; certamente é esta graça que nos salva da morte eterna. Isaque, o filho da graça, foi oferecido em holocausto; porém, o filho da graça, graciosamente foi recobrado à vida. O filho da graça crê que, ainda que morra, viverá.

Dizemos como Davi: “Porque a tua graça é melhor do que a vida; os meus lábios te louvam”.

O Senhor nos diz: “A minha graça te basta”.

Pr. Mario Tsuyoshi Yamakami

Comunidade Bíblica Regenerada   –  Cristo vive em nós

Maringá, 05 de Julho de 2017.

HEBREUS 11 – ESTUDO XLIII

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Abraão passou por muitas provas até chegar ao capítulo 22 de Gênesis. A Bíblia dá a entender que esse é o ponto alto na vida deste homem de fé. Gênesis 22:1-19.

Muitos poderiam dizer: Será que Deus ficou louco? Mandar Abraão matar o próprio filho? Não é isto contra a Lei? Deus tornou-se um assassino? Enfim, a mente carnal pode tirar muitas conclusões precipitadas e erradas. Cuidado para não julgar as ações de Deus.

Creio que este capítulo revela o quanto Deus é bom e amoroso. Abraão teria que oferecer seu filho em holocausto, em oferta para Deus. Abraão teria que ir para a cruz. O regenerado precisa tomar sua cruz. Este capítulo também revela o quanto Abraão conhecia, amava e temia a Deus. Ele não questionou em ir para a cruz.

No verso 3 vemos Abraão fazendo tudo como Deus lhe ordenara; sem questionar aquele “absurdo”. Às vezes passamos por situações difíceis e ao invés de confiar no Soberano, logo começamos a murmurar e questionar.

Deus queria quebrar a idolatria que estava se solidificando no coração de Abraão em relação ao seu filho Isaque. Deus não precisava de holocausto; Abraão sim, precisava da cruz.

Deus queria solidificar a fé de Abraão. Imagina 3 dias andando até o Monte Moriá, sem conselheiro, sem pastor, sem a esposa, sem os amigos. Abraão deve ter sentido medo e insegurança. Mas ele atravessou aquele vale olhando para o Senhor. O verdadeiro cristão se apega ao Senhor em sua solidão. Ele jamais joga pedra porque os seus não o visitaram.

Em nossa solidão precisamos olhar para o Senhor. Aprendemos muito em nossas tribulações. É Deus quem permiti passarmos por sofrimentos para que aprendamos e conheçamos melhor o nosso Deus. Há lições preciosas para nós em nossos vales e desertos.

Aquele que segue o Senhor precisa tê-Lo acima de tudo e de todos; até mesmo sobre a nossa amada família. Abraão estava invertendo os valores e Deus, por amor, corrigiu-o. Abraão não podia afastar-se da cruz.

Deus tirou o medo do coração de Abraão revelando-se como Jeová Jiré – Aquele que tudo provê. Nos momentos difíceis, nas horas de grande necessidade é que temos a oportunidade de conhecer o Senhor Jesus como o nosso Provedor. Não temas, diz o Senhor!

Abraão nos ensina sobre a importância de temer a Deus. Aquele que teme a Deus obedece sem questionar, sem murmurar. Abraão estava para sacrificar Isaque quando o Anjo do Senhor disse para não fazer. O Anjo do Senhor disse: agora sei que temes a Deus. Aquele que teme a Deus obedece. Deus tem prazer em abençoar uma pessoa temente e obediente (v.17).

Às vezes lemos a Bíblia e nos atemos somente à leitura do texto à nossa frente. Há um verso em Hebreus que mostra um pouco mais sobre esse episódio de Abraão. Hebreus 11:18 – “a quem se tinha dito: Em Isaque será chamada a tua descendência”.

Deus havia dada uma promessa e pretendia cumpri-la através da vida de Isaque. Então, não teria sentido algum se Isaque morresse. Abraão conhecia a Palavra e a Promessa de Deus. A promessa incendiou a fé de Abraão. As Escrituras avivam nossa fé no Senhor.

Para Abraão, Deus era poderoso para ressuscitar Isaque, caso ele viesse a mata-lo. Isto é fé em Deus. Ainda que tudo se acabe, podemos crer que Deus pode fazer tudo de novo. Deus pode fazer nascer de novo, Deus pode criar uma nova vida.

Isto é crer na cruz. Crer na cruz é crer que Deus traz vida através da morte. Cruz é morrer em Cristo para poder viver em Cristo. Para Abraão, aquele holocausto não era o fim; pelo contrário, era apenas o começo de uma nova vida. Para aquele que crê, a cruz é apenas o começo de uma nova vida em Cristo Jesus.

Hebreus 11:19 – “porque considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde também, figuradamente, o recobrou”.

Como esse texto de Genesis 22 nos ensina sobre a cruz. O pai Abraão ofereceu seu filho Isaque. O próprio Pai sacrificou seu Filho. O próprio Deus Pai entregou Seu Filho Jesus para morrer na cruz (Atos 2:23). Deus, já naquele tempo, anunciava a cruz de Seu amado Filho.

Neste episódio, quando Abraão foi à cruz, isto é, obedeceu, algo maravilhoso aconteceu. A idolatria que havia se fixado no coração de Abraão foi quebrada. A cruz serve para quebrar todo tipo de idolatria. Aquele que não passa pela cruz permanece um idólatra.

Vimos que Abraão precisou aprender que Deus é Pai pouco antes do nascimento de Isaque. Agora Isaque nasceu e Abraão começou a amar tanto seu filho como um pai que estava se esquecendo que Deus era seu pai.

Isto acontece com frequência na vida de muitos casais. Amam a Deus, vão para a igreja, ficam firmes até que um dia Deus dá um “Isaque”. Daí eles se apegam tanto ao filho da promessa que acaba se esquecendo de Deus, o Pai.

Deus não permitiu a convivência com o filho da carne, Ismael. Também não permite que se viva com o filho da promessa fora do parâmetro de Dele.

Aqui está outra grande lição de Deus para Abraão. Antes de Isaque, Deus era o Pai de Abraão. E depois de Isaque? Deus deveria continuar sendo o Pai. Abraão aprendeu uma grande lição neste episódio: Deus é e sempre será nosso Pai.

Se antes do namoro, Cristo era o Senhor, e agora, durante o namoro? Se você amava o Senhor antes de ficar rico, como deve ser depois de rico? Alguns valores não podem mudar em nossa vida. Cristo sempre será o mesmo – Hebreus 13:8 – “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre”.

Como é Cristo para você hoje? Se no passado a cruz foi tão valiosa, como é hoje? Se no passado a santidade era tão importante, como é hoje? Deus não muda. Devemos ama-Lo acima de tudo e de todos sempre, eternamente.

A cruz permanece a mesma; não devemos perder gradativamente nossa visão dela. Sua importância em nossa vida diária não deve ir diminuindo.

Abraão nos ensina que o Senhor continua sendo o Soberano e reinará para sempre. Nada poderá substitui-Lo. Cristo, sempre Cristo, somente Cristo, para sempre Cristo.

Pr. Mario Tsuyoshi Yamakami

Comunidade Bíblica Regenerada   –   Cristo vive em nós

Maringá, 28 de Junho de 2017.